Sermão: Quando Deus conquista um coração…

Palavra ministrada pelo Pr Josias Na Igreja do Betel Brasileiro Geisel, no dia 14.09.2014

 

Quando Deus conquista um coração…

Atos 9

Introdução

A conversão de Saulo de Tarso, um dos principais perseguidores dos cristãos, foi, possivelmente, um dos maiores acontecimentos da Igreja depois da vinda do Espírito em Pentecostes.

O próximo grande acontecimento seria a conversão dos gentios (At10), dos quais Saulo (Paulo) se tornaria apóstolo.

Deus estava dando continuidade a seu plano de levar o evangelho a todo o mundo.

“Paulo era um homem importante”, disse Charles Spurgeon, “e não tenho dúvidas que, no caminho para Damasco, estava montado sobre um cavalo muito alto. Mas foram precisos apenas alguns segundos para mudar esse homem. Deus não demorou a coloca-lo em seu devido lugar!”

O relato da conversão de Saulo é apresentado por Lucas, três vezes em Atos, nos capítulos 9, 22 e 26.

 

A conversão de Saulo

1 Enquanto isso, Saulo não parava de ameaçar de morte os seguidores do Senhor Jesus. Ele foi falar com o Grande Sacerdote 2 e pediu cartas de apresentação para as sinagogas da cidade de Damasco. Com esses documentos Saulo poderia prender e levar para Jerusalém os seguidores do Caminho do Senhor que moravam ali, tanto os homens como as mulheres.

3 Mas na estrada de Damasco, quando Saulo já estava perto daquela cidade, de repente, uma luz que vinha do céu brilhou em volta dele. 4 Ele caiu no chão e ouviu uma voz que dizia: —Saulo, Saulo, por que você me persegue?
5 —Quem é o senhor? —perguntou ele. A voz respondeu: —Eu sou Jesus, aquele que você persegue.
6 Mas levante-se, entre na cidade, e ali dirão a você o que deve fazer.
7 Os homens que estavam viajando com Saulo ficaram parados sem poder dizer nada. Eles ouviram a voz, mas não viram ninguém. 8 Saulo se levantou do chão e abriu os olhos, mas não podia ver nada. Então eles o pegaram pela mão e o levaram para Damasco. 9 Ele ficou três dias sem poder ver e durante esses dias não comeu nem bebeu nada.

Ao olhar para Saulo na estrada (At 9:1, 2), vemos um homem zeloso que pensava estar, verdadeiramente, servindo a Deus ao perseguir a Igreja.

As cartas solicitadas por Saulo não somente serviriam de apresentação para ele, mas também lhe confeririam a autorização do sumo sacerdote para prender os seguidores de Cristo e trazê-los de volta a Jerusalém.

A maioria das sinagogas da Síria provavelmente reconhecia este direito de extradição. Saulo não estava somente indo para persegui-los, ele também estava indo para encontrar homens e mulheres e trazê-los de volta presos.

O Senhor não permitiu que o plano homicida simplesmente se desenrolasse. Quando Saulo estava prestes a entrar em Damasco, uma luz do céu brilhou ao seu redor (9:3). Saulo não conseguiu suportar o resplendor e caiu por terra, prostrado ou em posição de adoração.

Em seguida, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? (9:4). Em outras palavras, “Por que você continua a me perseguir?”.

A pergunta parece ter causado perplexidade em Saulo, que acreditava esta fazendo a vontade de Deus e defendendo a verdadeira religião da perniciosa influência dos seguidores de Jesus de Nazaré (22:3-4; 26:5; cf. tb. Fp 3:6). Ele sabia, contudo, que a voz era de alguém poderoso, de modo que perguntou: Quem és tu, Senhor? A resposta deve tê-lo surpreendido: Eu sou Jesus, a quem tu persegues (9:5). Ao perseguir os discípulos, Saulo estava perseguindo o próprio Jesus!

Mas, quem era Paulo?

Paulo tinha um berço religioso de gloriosa e exaltada tradição: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei fariseu(Fp 3.5). Nasceu em Tarso, capital da Cilicia e importante centro cultural do Império, uma pequena Atenas para a aprendizagem. Lá Paulo se familiarizou com a filosofia e a poesia dos gregos. Por direito de nascimento, Paulo era cidadão romano. Foi educado aos pés do mestre Gamaliel em Jerusalém, onde recebeu a mais refinada educação cultural e religiosa (22.3). Era adepto da ala mais radical do judaísmo, a seita dos fariseus (22.3).

Warren Wiersbe afirma que, apesar de sua grande erudição (26.24), Paulo estava espiritualmente cego (2Co 3.12-18) e não compreendia o que o Antigo Testamento ensinava de fato sobre o Messias. Ele dependia da própria justificação, não da justificação de Deus (Rm 9.30— 10.13; Fp 3.1-10).

A conversão de Paulo é uma evidência incontestável do poder da graça soberana de Cristo. Paulo não se decidiu por Cristo; pois ele estava perseguindo a Cristo. Foi Cristo quem se decidiu por ele. Foi Cristo quem foi ao seu encontro. Foi Cristo que o alcançou com o seu amor. Foi Cristo quem o escolheu.

Então, de repente, Saulo estava no chão! (At 9:4). Não foi derrubado por uma insolação nem por um ataque de epilepsia, mas pelo encontro pessoal com Jesus Cristo. Por volta do meio-dia, viu uma luz resplandecente no céu (At 22:6) e ouviu uma voz dizer seu nome (At 22:6-11).

Os homens que estavam com ele também caíram por terra (At 26:14) e ouviram um som, mas não compreenderam as palavras proferidas do céu. Levantaram-se confusos (At 9:7) e ouviram Saulo dirigir-se a alguém, mas não conseguiram entender o que estava acontecendo. As coisas de Deus são misteriosas mesmo. O que Deus faz, pessoas comuns não podem entender, só aqueles a quem Deus se revela, é que podem acessar os mistérios de Deus.

A confrontação de Paulo com Cristo ressuscitado, na estrada de Damasco, transformou-o de um dedicado perseguidor da Igreja, em um fervoroso seguidor de Cristo. Só Deus é quem pode mudar corações. Precisamos confiar na capacidade que Deus tem para mudar vidas que achamos que nunca serão transformadas.

De repente, tudo aquilo em que Saulo tinha acreditado estava sendo destruído e substituído por uma nova verdade – a mesma verdade que ele vinha tentando extinguir.

O Senhor tinha uma incumbência especial para Saulo (At 2 6 :16 -18). O hebreu zeloso se tornaria o apóstolo aos gentios; o perseguidor se tornaria um pregador; e o fariseu legalista se tornaria o proclamador da graça de Deus. Até aquele momento, Saulo havia agido como um animal selvagem, lutando contra os aguilhões, mas se tornaria um vaso de hora, um instrumento usado pelo Senhor para pregar o evangelho até os confins da Terra. Que transformação!

A verdade que ele tentava destruir, abafar e anular era agora a mesma verdade que o dominava, que o inspirava e que dava novo sentido a sua existência. Deus fez de um perseguidor, agora um defensor da Igreja.

 


10 Em Damasco morava um seguidor de Jesus chamado Ananias. Ele teve uma visão, e nela apareceu o Senhor, chamando: —Ananias! Ele respondeu: —Aqui estou, Senhor! 11 E o Senhor lhe disse: —Apronte-se, e vá até a casa de Judas, na rua Direita, e procure um homem chamado Saulo, da cidade de Tarso. Ele está orando 12 e teve uma visão. Nela apareceu um homem chamado Ananias, que entrou e pôs as mãos sobre ele a fim de que ele pudesse ver de novo.
13 Ananias respondeu: —Senhor, muita gente tem me falado a respeito desse homem e de todas as maldades que ele fez em Jerusalém com os que crêem no Senhor. 14 E agora ele veio aqui a Damasco com autorização dos chefes dos sacerdotes para prender todos os que te adoram.
15 Mas o Senhor disse a Ananias: —Vá, pois eu escolhi esse homem para trabalhar para mim, a fim de que ele anuncie o meu nome aos não-judeus, aos reis e ao povo de Israel. 16 Eu mesmo vou mostrar a Saulo tudo o que ele terá de sofrer por minha causa.
17 Então Ananias foi, entrou na casa de Judas, pôs as mãos sobre Saulo e disse: —Saulo, meu irmão, o Senhor que me mandou aqui é o mesmo Jesus que você viu na estrada de Damasco. Ele me mandou para que você veja de novo e fique cheio do Espírito Santo.
18 “No mesmo instante umas coisas parecidas com escamas caíram dos olhos de Saulo, e ele pôde ver de novo. Ele se levantou e foi batizado;”

Ananias era um judeu devoto (At 22:12) que cria em Jesus Cristo. Conhecia a reputação de Saulo e sabia que o fariseu estava a caminho de Damasco para prender cristãos.

Mas Deus revela a Ananias que Paulo é um vaso escolhido para testificar ao mundo gentílico. Sem dúvida alguma, a obediência de Ananias contribuiu para que Paulo pudesse receber a mensagem de Deus.

Quando essa mensagem chegou a Ananias deve ter parecido uma loucura, Deus ter lhe dito: “Vá e ajude o homem que veio para pôr você numa prisão e que poderia até assassina-lo.”

Ananias poderia ter-se aproximado de Paulo com suspeitas, como alguém que está realizando uma tarefa que lhe desgosta; poderia ter começado muito bem com recriminações e o culpando; mas não o fez; suas primeiras palavras foram: “Irmão Saulo”. Que boas-vindas havia nessas palavras! É um dos exemplos mais sublimes do amor e perdão cristãos.

A essência do cristianismo é o perdão. Em Cristo, Paulo e Ananias, homens que antes estavam em lados completamente opostos, agora poderiam andar como irmãos.

Para que Ananias não tivesse qualquer dúvida, Deus lhe deu algumas evidencias de que Paulo tinha sido transformado. Deus lhe disse que ao encontrar Paulo, ele estaria orando. Que coisa tremenda! O perseguidor da igreja é encontrando orando, clamando ao pai.

Quem nasce de novo tem prazer de clamar: Aba Pai. Quem é salvo tem prazer na comunhão com o Pai. Paulo é convertido e logo começa a orar.

John Stott destaca o fato de que a mesma boca que havia respirado ameaças de morte contra os discípulos do Senhor (9.1) agora respirava louvores e preces a Deus.

A segunda evidencia que Deus dá a Ananias de que Paulo estava transformado é que em sua conversão Paulo recebe o Espírito Santo.

Ananias impõe as mãos sobre Paulo, que fica cheio do Espírito Santo. Charles Spurgeon disse que é mais fácil convencer um leão a ser vegetariano do que uma pessoa ser convertida sem a ação do Espírito Santo.

A terceira é ultima prova de que Paulo o coração de Paulo tinha sido conquistado por Deus é que ele quis o batismo. (9:18)

O batismo é um testemunho público da salvação. Uma pessoa que crê precisa ser batizada e integrada à igreja.

Conclusão

Quero finalizar esta palavra ressaltando que algumas coisas tremendas aconteceram ainda, neste encontro entre Paulo e Ananias.

Ananias chamou Paulo de irmão, no verso 17. O perseguidor da igreja, era agora chamado de irmão Saulo. Deus faz assim! Ele tem o poder de atrair nossos inimigos com seu amor e os transformar em nossos aliados e irmãos.

A visão de Paulo, acerca de Deus mudou. O texto diz, no verso 18, que após receber o Espirito, escamas espirituais, que estavam nos olhos do apostolo, caíram. Paulo agora passa a ver Deus como ele é. Paulo agora consegue entender claramente o plano de Deus e o propósito do evangelho revelado em Cristo.

Muitas vezes lutamos contra pessoas tentando convence-las, mas entendamos que a obra do convencimento é de Deus. E Ele quem tiras as vendas que estão nos olhos de muitos cegos espirituais. É ele quem conquista corações.

Deus nos abençoe em Cristo.

Pr Josias Moura de Menezes

 

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EDB dia 14.09.2014 – Tema: A fundação bíblica do dízimo

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A fundação bíblica do dízimo

Malaquias 3.8-10

Precisamos entender alguns aspectos importantes sobre a questão do dízimo. Esse é um tema claro nas Escrituras. Muitas pessoas, por desconhecimento, têm medo de ensinar sobre esse importante tema. Outras, por ganância, fazem dele um instrumento para extorquir os incautos. Ainda outras, por desculpas infundadas, sonegam-no, retêm-no e apropriam-se indevidamente do que é santo ao Senhor. O povo de Deus, que fora restaurado por Deus, agora estava roubando a Deus nos dízimos e nas ofertas.

Thomas V. Moore interpretando a lei de Moisés, diz que os dízimos requeridos pela lei mosaica eram 10% de tudo o que o povo recebia, valores esses destinados à manutenção dos levitas (Lv 27.30-32). Desses dízimos os levitas pagavam 10% aos sacerdotes (Nm 18.26-28). Ainda, outro dízimo era pago pelo povo a cada três anos, destinado aos pobres, viúvas e órfãos (Dt 14.28,29).94

Vejamos alguns pontos importantes sobre o dízimo.

Em primeiro lugar, o dízimo é um princípio estabelecido pelo próprio Deus. A palavra dízimo maaser (hebraico) e dexatem (grego) significa 10% de alguma coisa ou de algum valor. O dízimo não é uma cota de 1% nem de 9%; o dízimo é a décima parte de tudo o que o homem recebe (Gn 14.20; Ml 3.10).96 O dízimo não é invenção da Igreja, é princípio perpétuo estabelecido por Deus. O dízimo não é dar dinheiro à igreja, é ato de adoração ao Senhor. O dízimo não é opcional, é mandamento; não é oferta, é dívida; não é sobra, é primícia; não é um peso, é uma bênção.

Em segundo lugar, o dízimo é santo ao Senhor (Lv 27.32). Quando o rei Belsazar usou as coisas santas e sagradas do templo de Deus para o seu próprio deleite, o juízo divino caiu sobre ele (Dn 5.22-31). Quando Acã apanhou o que eram as primícias para Deus (Js 6.18,19) e as escondeu debaixo da sua tenda, o castigo de Deus veio sobre ele (Js 7.1).

Em terceiro lugar, o dízimo faz parte do culto. A devolução dos dízimos fazia parte da liturgia do culto. “A esse lugar fareis chegar os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos…” (Dt 12.6). A devolucão dos dízimos é um ato litúrgico, um ato de adoração que deve fazer parte do culto do povo de Deus.

Vejamos algumas desculpas descabidas quanto ao dízimo

A primeira desculpa é a justificativa teológica: O dízimo é da lei. Sim, o dízimo é da lei, é antes da lei e também depois da lei. Ele existiu no sacerdócio de Melquisedeque, no sacerdócio levítico e no sacerdócio de Cristo. A graça vai sempre além da lei (Mt 23.23).

A segunda desculpa é a justificativa financeira: “O que eu ganho não sobra”. Dízimo não é sobra, é primícia. Deus não é Deus de sobra, de resto. A sobra nós damos para os animais domésticos. A ordem de Deus é: “Honra ao Senhor com as primícias da tua renda…” (Pv 3.9). Os homens fiéis sempre separaram o melhor para Deus, ou seja as primícias (Êx 23.19; 1Cr 29.16; Ne 10.37). Se não formos fiéis, Deus não deixa sobrar. O profeta Ageu diz que o infiel recebe salário e o coloca num saco furado, vaza tudo. O que ele rouba de Deus foge entre os dedos (Ag 1.6).

A terceira desculpa é a justificativa matemática: “Eu não entrego o dízimo, porque tem crente que não é dizimista e prospera ao passo que tem crente dizimista pobre”. Não basta apenas ser dizimista, é preciso ter a motivação correta. É um ledo engano pensar que as bênçãos de Deus limitam-se apenas às coisas materiais.

A quarta desculpa é a justificativa sentimental: “Eu não sinto que devo entregar o dízimo”. Pagar o dízimo não é questão de sentimento, mas de obediência. O crente vive pela fé e fé na Palavra. Não posso chegar diante do gerente e dizer que não sinto vontade de pagar a dívida no banco.

A quinta desculpa é a desculpa da discordância pessoal: “Eu não concordo com o dízimo”. Temos o direito de discordar, só não temos o direito de escolher as conseqüências das nossas decisões. Quando discordamos do dízimo, estamos discordando da Palavra de Deus que não pode falhar. Quando discordamos do dízimo, estamos indo contra a palavra dos patriarcas, dos profetas, e acima de tudo, do Senhor Jesus, que disse: “Dai a César (os impostos, os tributos e as taxas) o que é de César e a Deus o que é Deus (os dízimos e as ofertas)” (Mt 22.21).

Vejamos algumas praticas erradas quanto ao dízimo. Malaquias denuncia alguns pecados graves quanto ao dízimo que estavam sendo cometidos:

O erro de reter. “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas” (3.8). Joyce Baldwin diz que o verbo “roubar”, qaba, é raro no Antigo Testamento, mas bem conhecido na literatura talmúdica como “tomar à força”. Mas de que forma em Malaquias israelitas estavam pecando contra Deus: 1) trazendo ofertas indignas (1.13); 2) oprimindo os pobres (3.5); 3) retendo os dízimos (3.8). A palavra roubar, portanto, significa tomar à força, ou seja, é uma espécie de assalto intencional, planejado e ostensivo. Tentar defraudar a Deus é defraudar a si mesmo, pois tudo que temos pertence a Deus: nossa vida, família e bens. Nossa confiança precisa estar no provedor, mais do que na provisão. Nenhum homem jamais perdeu alguma coisa por servir a Deus de todo o coração, ou ganhou qualquer coisa, servindo a Ele com o coração dividido.

O erro de administrar por conta própria. A Bíblia ensina: “Trazei todos os dízimos à CASA DO TESOURO” (3.10). Não temos o direito de mudar uma ordem do Senhor (Dt 12.11). Não podemos fazer o que bem entendemos com o que é de Deus. Este deve ser trazido integralmente à casa do Tesouro. A casa do Tesouro era uma expressão que designava os celeiros ou armazéns, a tesouraria do templo, amplos salões em que se colocavam os dízimos (1Rs 7.51).

O profeta Malaquias aponta quatro bênçãos que acompanham a restauração divina sobre aqueles que são fiéis nos dízimos e nas ofertas

Em primeiro lugar, as janelas abertas do céu (3.10). É lá do alto que procede toda boa dádiva. Deus promete derramar sobre os fiéis torrentes caudalosas das Suas bênçãos. Baldwin diz que as janelas do céu, que se abriram para a chuva durante o dilúvio (Gn 7.11), “choverão” uma seqüência superabundante de presentes, quando Deus mandar.109 É bênção sobre bênção, é bênção sem medida. Nós precisamos evitar dois extremos: a teologia da prosperidade e a teologia da miséria. A teologia da prosperidade limita as bênçãos de Deus ao terreno material; a teologia da miséria não enxerga a bênção de Deus nas suas dávidas materiais.

Em segundo lugar, as bênçãos sem medida de Deus (3.10). A bênção de Deus enriquece e com ela não traz desgosto. A Bíblia diz que o que plantamos, isso também colhemos. Mas colhemos sempre mais do que plantamos. “Quem semeia com fartura, com abundância ceifará” (2Co 9.6). (veja também Lc 6.38 e Prov. 11:24,25).

Em terceiro lugar, o devorador repreendido (3.12). Deus não age apenas ativamente derramando bênçãos extraordinárias, mas também inibe, proíbe e impede a ação do devorador na vida daqueles que lhe são fiéis. Alguém, talvez, possa objetar dizendo que há muitos crentes não dizimistas que são prósperos financeiramente, enquanto há dizimistas que enfrentam dificuldades econômicas. Contudo, a riqueza sem fidelidade pode ser maldição e não bênção. Também, as bênçãos decorrentes da obediência não são apenas materiais, mas toda sorte de bênção espiritual em Cristo Jesus.

Em quarto lugar, uma vida feliz (3.12): “Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos”. Há grande alegria na obediência a Deus. Quando a igreja é fiel, a casa de Deus é suprida, a obra de Deus cresce, o testemunho da igreja resplandece, os povos conhecem ao Senhor e a glória de Deus resplandece entre as nações. Ser cooperador com Deus é fazer um investimento para a eternidade (1Co 3.9). Muitos estão investindo em projetos que não terão nenhuma conseqüência eterna. Onde você está ajuntando tesouros? Onde está colocando suas riquezas? Onde você tem o seu coração? O dinheiro do Senhor que está em suas mãos tem sido devolvido para o sustento da obra de Deus?

Concluímos dizendo que Deus chama o Seu povo a fazer prova Dele. O Senhor nos exorta a fazer prova Dele quanto a essa matéria (Ml 3.10). Deus não quer obediência cega, mas fidelidade com entendimento. O dinheiro é uma semente. Quando você semeia com fartura, você colhe com abundância. Na verdade você tem o que dá, e perde o que retém. A semente que se multiplica não é a que você come, mas a que você semeia. Jesus disse que mais bem-aventurado é dar que receber (At 20.35). Que Deus nos abençoe!

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O fundamento bíblico da prática do dízimo

Dízimo – Principio e fundamentação bíblica

Malaquias 3.8-10

Precisamos entender alguns aspectos importantes sobre a questão do dízimo. Esse é um tema claro nas Escrituras. Muitas pessoas, por desconhecimento, têm medo de ensinar sobre esse importante tema. Outras, por ganância, fazem dele um instrumento para extorquir os incautos. Ainda outras, por desculpas infundadas, sonegam-no, retêm-no e apropriam-se indevidamente do que é santo ao Senhor. O povo de Deus, que fora restaurado por Deus, agora estava roubando a Deus nos dízimos e nas ofertas.

Thomas V. Moore interpretando a lei de Moisés, diz que os dízimos requeridos pela lei mosaica eram 10% de tudo o que o povo recebia, valores esses destinados à manutenção dos levitas (Lv 27.30-32). Desses dízimos os levitas pagavam 10% aos sacerdotes (Nm 18.26-28). Ainda, outro dízimo era pago pelo povo a cada três anos, destinado aos pobres, viúvas e órfãos (Dt 14.28,29).94

Vejamos alguns pontos importantes sobre o dízimo.

Em primeiro lugar, o dízimo é um princípio estabelecido pelo próprio Deus. A palavra dízimo maaser (hebraico) e dexatem (grego) significa 10% de alguma coisa ou de algum valor.95 O dízimo não é uma cota de 1% nem de 9%; o dízimo é a décima parte de tudo o que o homem recebe (Gn 14.20; Ml 3.10).96 O dízimo não é invenção da Igreja, é princípio perpétuo estabelecido por Deus. O dízimo não é dar dinheiro à igreja, é ato de adoração ao Senhor. O dízimo não é opcional, é mandamento; não é oferta, é dívida; não é sobra, é primícia; não é um peso, é uma bênção.

O dízimo é ensinado em toda a Bíblia: antes da lei (Gn 14.20), na lei (Lv 27.30), nos livros históricos (Ne 12.44), poéticos (Pv 3.9,10), proféticos (Ml 3.8-12) e também no Novo Testamento (Mt 23.23; Hb 7.8). O dízimo não é uma questão meramente financeira, mas, sobretudo, espiritual. O bolso revela o coração. Durante o reinado de Ezequias, houve um grande despertamento espiritual e o resultado foi a dedicação de dízimos e ofertas ao Senhor (2Cr 31.5,12,19). Sempre que o povo de Deus se volta para o Senhor com o coração quebrantado, os dízimos são devolvidos.

Em segundo lugar, o dízimo é santo ao Senhor (Lv 27.32). Quando o rei Belsazar usou as coisas santas e sagradas do templo de Deus para o seu próprio deleite, o juízo divino caiu sobre ele (Dn 5.22-31). Quando Acã apanhou o que eram as primícias para Deus (Js 6.18,19) e as escondeu debaixo da sua tenda, o castigo de Deus veio sobre ele (Js 7.1).

Em terceiro lugar, o dízimo faz parte do culto. A devolução dos dízimos fazia parte da liturgia do culto. “A esse lugar fareis chegar os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos…” (Dt 12.6). A devolucão dos dízimos é um ato litúrgico, um ato de adoração que deve fazer parte do culto do povo de Deus.

Em quinto lugar, vejamos algumas desculpas descabidas quanto ao dízimo

A primeira desculpa é a justificativa teológica: O dízimo é da lei. Sim, o dízimo é da lei, é antes da lei e também depois da lei. Ele existiu no sacerdócio de Melquisedeque, no sacerdócio levítico e no sacerdócio de Cristo. A graça vai sempre além da lei (Mt 23.23). Se a lei nos isenta do dízimo, então também nos isentará da justiça, da misericórdia e da fé, pois também são da lei. Ainda que o dízimo fosse uma prática exclusiva da lei, mesmo assim, deveríamos observá-lo, pois também o decálogo é da lei e nem por isso sentimo-nos desobrigados de obedecê-lo. Ivonildo Teixeira corretamente exorta àqueles que tentam escapar da responsabilidade do dízimo dizendo que só vêem sua prática no Antigo Testamento:

A segunda desculpa é a justificativa financeira: “O que eu ganho não sobra”. Dízimo não é sobra, é primícia. Deus não é Deus de sobra, de resto. A sobra nós damos para os animais domésticos. A ordem de Deus é: “Honra ao Senhor com as primícias da tua renda…” (Pv 3.9). Os homens fiéis sempre separaram o melhor para Deus, ou seja as primícias (Êx 23.19; 1Cr 29.16; Ne 10.37). Se não formos fiéis, Deus não deixa sobrar. O profeta Ageu diz que o infiel recebe salário e o coloca num saco furado, vaza tudo. O que ele rouba de Deus foge entre os dedos (Ag 1.6). Hoje os cristãos gastam mais com cosmético do que com o Reino de Deus. Investem mais em coisas supérfluas do que com a salvação dos perdidos. Gastamos mais com aquilo que perece do que com a evangelização do mundo. Quando acumulamos justificativas e desculpas para sonegarmos o dízimo, estamos revelando apenas que o Reino de Deus não é nossa prioridade e que o nosso amor por Deus é menor do que o apego ao dinheiro. Quando dizemos que a razão de retermos o dízimo é que se o pagarmos vai nos faltar o básico, estamos permitindo que Satanás encha o nosso coração de incredulidade. É Deus quem cuida do Seu povo. Dele vem a nossa provisão. Cabe-nos obedecer a Deus e deixar as conseqüências em Suas mãos. Ele é fiel!

A terceira desculpa é a justificativa matemática: “Eu não entrego o dízimo, porque tem crente que não é dizimista e prospera ao passo que tem crente dizimista pobre”. Não basta apenas ser dizimista, é preciso ter a motivação correta. É um ledo engano pensar que as bênçãos de Deus limitam-se apenas às coisas materiais. As pessoas mais ricas e mais felizes do mundo foram aquelas que abriram mão do que não podiam reter, para ganhar o que não podiam perder. Dízimo não é barganha nem negócio com Deus. Precisamos servir a Deus por quem Ele é e não pelo que vamos receber em troca. Se o seu coração está no dinheiro, você ainda precisa ser convertido. A prosperidade financeira sem Deus pode ser um laço. Um homem nunca é tão pobre como quando ele só possui dinheiro. Jesus disse que a vida de um homem não consiste nas riquezas que ele possui. Nada trouxemos para este mundo, nada levaremos dele. O máximo que o dinheiro pode oferecer ao homem é um rico enterro. Riqueza sem salvação é a mais consumada miséria.

A quarta desculpa é a justificativa sentimental: “Eu não sinto que devo entregar o dízimo”. Pagar o dízimo não é questão de sentimento, mas de obediência. O crente vive pela fé e fé na Palavra. Não posso chegar diante do gerente e dizer que não sinto vontade de pagar a dívida no banco. Não posso encher o meu carrinho de compras no supermercado e depois dizer para o caixa: “eu não sinto vontade de pagar essa dívida”. Apropriar-se do dízimo é desonestidade, é roubo, é subtrair o que não nos pertence. Enganam-se aqueles que sonegam o dízimo porque julgam que Deus não bate à sua porta para cobrar nem manda seu nome para o SPC do céu. A Bíblia diz que de Deus não se zomba, aquilo que o homem semear, isso ceifará. A retenção do dízimo provoca a maldição divina e a ação devastadora do devorador.

A quinta desculpa é a justificativa da consciência: “Eu não sou dizimista, mas dou oferta”. Dízimo é dívida, oferta é presente. Primeiro, você paga a dívida, depois dá o presente. Não posso ser honesto com uma pessoa, se devo a ela dez mil reais, e chego com um presente de quinhentos reais, visando, com isso, liquidar a dívida. Não podemos subornar a Deus. Ele não pode ser comprado nem enganado. Deus requer fidelidade!

A sexta desculpa é a justificativa política: “A igreja não administra bem o dízimo”. Deus mandou que eu trouxesse todos os dízimos à casa do Tesouro, mas não me nomeou fiscal do dízimo. Eu não sou juiz do dízimo de Deus. Minha obediência não deve ser condicional. Quem administra o dízimo vai prestar contas a Deus.

A sétima desculpa é a desculpa da visão mesquinha: “A igreja é rica, ela não precisa do meu dízimo”. Em primeiro lugar, o dízimo não é meu, mas de Deus. Em segundo lugar, meu dever é entregá-lo com fidelidade como Deus me ordenou e onde Deus me ordenou. Ainda perguntamos: será que temos tomado conhecimento das necessidades da igreja? Vislumbramos as possibilidades de investimento em prol do avanço da obra? Além do mais, o dízimo não é da igreja, é do Senhor. É Ele quem o recebe (Hb 7.8).

A oitava desculpa é a desculpa da discordância pessoal: “Eu não concordo com o dízimo”. Temos o direito de discordar, só não temos o direito de escolher as conseqüências das nossas decisões. Quando discordamos do dízimo, estamos discordando da Palavra de Deus que não pode falhar. Quando discordamos do dízimo, estamos indo contra a palavra dos patriarcas, dos profetas, e acima de tudo, do Senhor Jesus, que disse: “Dai a César (os impostos, os tributos e as taxas) o que é de César e a Deus o que é Deus (os dízimos e as ofertas)” (Mt 22.21).98

Em sexto lugar, pecados graves quanto ao dízimo. Malaquias denuncia alguns pecados graves quanto ao dízimo que estavam sendo cometidos pelo povo

O primeiro pecado é reter o dízimo. “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas” (3.8). Joyce Baldwin diz que o verbo “roubar”, qaba, é raro no Antigo Testamento, mas bem conhecido na literatura talmúdica como “tomar à força”. Mas de que forma em Malaquias israelitas estavam pecando contra Deus: 1) trazendo ofertas indignas (1.13); 2) oprimindo os pobres (3.5); 3) retendo os dízimos (3.8). A palavra roubar, portanto, significa tomar à força, ou seja, é uma espécie de assalto intencional, planejado e ostensivo. A única vez que esse verbo aparece novamente é em Provérbios 22.23 para descrever o despojamento do pobre. Reter o dízimo santo ao Senhor é uma insensatez, pois ninguém pode roubar a Deus impunemente.

Tentar defraudar a Deus é defraudar a si mesmo,100 pois tudo que temos pertence a Deus: nossa vida, família e bens. Uma águia, buscando alimento para os filhos, arrancou com suas fortes garras a carne do altar do sacrifício. Voou para o ninho dos seus filhotes com o cardápio do dia, mas havia ainda na carne uma brasa acesa e esta incendiou o ninho dos seus filhotes, provocando um desastrado acidente. Não é seguro retermos o que é de Deus para o nosso sustento. Deus é o criador, provedor e protetor, por isso devemos depender Dele mais do que dos nossos próprios recursos. Nossa confiança precisa estar no provedor, mais do que na provisão. Nenhum homem jamais perdeu alguma coisa por servir a Deus de todo o coração, ou ganhou qualquer coisa, servindo a Ele com o coração dividido, diz Thomas V. Moore.101 Diante da sonegação dos dízimos, o Senhor lembra aos judeus que estavam, na realidade, roubando a si próprios, pois o resultado de tal atitude era o fracasso das colheitas.

Dionísio Pape afirma que quem rouba a Deus não é capaz de amá-Lo. Na verdade, sonegar o dízimo é atuar com dolo e esta é uma maneira estranha de exprimir gratidão a Deus, diz Herbert Wolf.104 Reter o dízimo é colocar o salário num saco furado, diz o profeta Ageu (Ag 1.6). Jamais uma pessoa prosperará retendo o dízimo de Deus, pois a Bíblia diz que reter mais do que é justo é pura perda (Pv 11.24). Reter o dízimo é uma clara demonstração de amor ao dinheiro, e a Bíblia diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1Tm 6.10). Reter o dízimo é desconfiar da providência divina, é um ato de incredulidade e infidelidade Àquele que nos dá a vida, a saúde, o sustento e a própria vida eterna. Reter o dízimo é roubar a Deus de forma ostensiva e abusiva. Reter o dízimo é desamparar a casa de Deus (Dt 26.14). Thomas V. Moore diz que se nós quisermos ter os tesouros de Deus abertos, devemos abrir os nossos próprios tesouros (3.10,11). Corações inteiros e mãos abertas abrem sobre nós as janelas dos céus e disponibilizam para nós os inesgotáveis recursos de Deus.

Malaquias fala não apenas do dízimo, mas também das ofertas. Eram as partes dos sacrifícios separados para os sacerdotes (Êx 29.27,28; Lv 7.32; Nm 5.9). Elas tinham também uma finalidade especial (Êx 25.2-7). Quando ninguém trazia ofertas, os levitas não tinham outra opção senão desistir do seu ministério e ganhar o seu sustento na agricultura, diz Baldwin.106

O segundo pecado é subtrair o dízimo. A Bíblia ordena: “Trazei TODOS os dízimos” (3.10). O dízimo é integral. Muitas pessoas pensam que podem enganar a Deus quando estão preenchendo o cheque do dízimo. Elas colocam um valor muito inferior ao que representa os 10% estabelecidos pelo Senhor. Pelo fato de enganarem a igreja, pensam que também enganam o Senhor da Igreja. Isso é um terrível engano. Deus não precisa de dinheiro, pois Dele é o ouro e a prata (Ag 2.8). Deus não precisava da árvore da ciência do bem e do mal no Jardim do Éden. Deus queria a fidelidade de Adão. Deus não precisava do sacrifício de Isaque, Ele queria a obediência de Abraão. Assim, também, Deus não precisa de dinheiro. Ele requer a fidelidade do Seu povo. Deus viu Ananias e Safira escondendo parte da oferta e os puniu por isso. Podemos nós enganar Àquele que tudo vê? O dízimo é sustento da Casa de Deus. Os levitas e os sacerdotes viviam dos dízimos. Os pobres eram amparados com os dízimos (Dt 14.28). Devemos trazer todos os dízimos à casa do Tesouro.

O terceiro pecado é administrar o dízimo. A Bíblia ensina: “Trazei todos os dízimos à CASA DO TESOURO” (3.10). Não temos o direito de mudar uma ordem do Senhor (Dt 12.11). Não podemos fazer o que bem entendemos com o que é de Deus. Não somos chamados a administrar o dízimo nem sermos juízes dele, mas a devolvê-lo ao seu legítimo dono. Deus mesmo já estabeleceu em Sua Palavra que o dízimo deve ser entregue em Sua Casa. Há pessoas que repartem o dízimo para várias causas: enviam 2% à uma igreja necessitada; remetem 3% para uma obra social; ajudam um missionário com mais 2% e depois, entregam 3% à igreja, onde freqüentam. Essa prática está errada. Não temos o direito de administrar o dízimo. Há pessoas, ainda, que freqüentam uma igreja e entregam todo o dízimo em outra. Isso é o mesmo que jantar num restaurante e pagar a conta em outro. Se quisermos ajudar uma causa, devemos fazê-lo com o que nos pertence e não com o dízimo do Senhor. Este deve ser trazido integralmente à casa do Tesouro. A casa do Tesouro era uma expressão que designava os celeiros ou armazéns, a tesouraria do templo, amplos salões em que se colocavam os dízimos (1Rs 7.51).107

O quarto pecado é subestimar o dízimo. Eles perguntavam: “Em que te roubamos?” (3.8). Eles pensavam que o dízimo era um assunto sem importância. Eles sonegavam o dízimo e julgavam que essa prática não os afetava espiritualmente. A nossa negligência e a dureza do nosso coração em reconhecermos o nosso pecado não atenuam a nossa situação. O que pensamos sobre uma situação não a altera aos olhos de Deus. A verdade de Deus é imutável, e isso não depende do que venhamos a pensar sobre ela. A geração de Malaquias não apenas sonegava o dízimo, mas não sentia por isso nenhuma culpa. Eles pecaram e ainda justificaram o seu pecado.

Em sétimo lugar, vejamos dois perigos sérios quanto à negligência do dízimo. O profeta Malaquias avisa solenemente acerca de dois graves perigos para aqueles que sonegam o dízimo e retêm em suas mãos o que é santo ao Senhor.

O primeiro perigo é a maldição divina. “Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós a nação toda” (Ml 3.9). A maldição chega a um terceiro nível no livro de Malaquias. A primeira maldição foi imposta ao enganador que, tendo o melhor, dá o pior para Deus (1.14). A segunda maldição é endereçada aos sacerdotes que desonram a Deus (2.2), mas, agora, a terceira maldição é derramada sobre toda a nação que está roubando a Deus nos dízimos e ofertas (3.8,9). A desobediência sempre desemboca em maldição. Insurgir-se contra Deus e violar as Suas leis trazem maldição inevitável. Deus é santo e não premia a infidelidade. Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir. Deus é fogo consumidor e terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. É tempo de a Igreja arrepender-se do seu pecado de infidelidade quanto ao dízimo. Sonegar o dízimo é desamparar a casa de Deus. Sonegar o dízimo é deixar de ser cooperador com Deus na implantação do Seu Reino. Precisamos nos voltar para Deus de todo o nosso coração, pois só assim traremos integralmente o que somos e temos para o altar.

O segundo perigo é a devastação do devorador. “Por vossa causa repreenderei o devorador” (3.11). O devorador pode ser tudo aquilo que subtrai nossos bens, que conspira contra o nosso orçamento e que mina as nossas finanças. Thomas V. Moore diz que “o devorador” aqui não deve ser entendido como qualquer tipo específico de destruidor, mas qualquer e todo tipo, racional ou irracional.108 O profeta Ageu alertou sobre as conseqüências da infidelidade, dizendo que é o mesmo que receber salário e colocá-lo num saco furado (Ag 1.6). Quando retemos fraudulentamente o que é de Deus, o devorador come o que deveríamos entregar no altar do Senhor.

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Estudo bíblico para o culto de dutrina – Atos 5:17ss

Estudo bíblico no livro de Atos

Atos 5

17 Então o Grande Sacerdote e todos os seus companheiros, que eram do partido dos saduceus, ficaram com inveja dos apóstolos e resolveram fazer alguma coisa. 18 Prenderam os apóstolos e os puseram na cadeia.

Ameaça e proibição foram as armas usadas pelos líderes do Sinédrio judaico. O Sinédrio se opõe aos pregadores e à pregação. Ameaça os pregadores e proíbe a pregação. Os membros do Sinédrio estão constrangidos com a intrepidez de Pedro e João e impotentes diante do poder do nome de Jesus.

Nunca uma boa obra prosseguiu com esperança de sucesso sem encontrar oposição. Não há meio de as pessoas propensas a prejudicar se reconciliarem com quem têm a função de fazer o bem. Satanás, o destruidor do género humano, sempre foi e sempre será adversário de quem for o benfeitor do género humano. Teria sido estranho se os apóstolos tivessem prosseguido a ensinar e curar sem terem tido nenhum contratempo. Nestes versículos, temos a malignidade do inferno e a graça do céu lutando por eles, um para afastá-los desta boa obra, o outro para incentivá-los nela.

Os sacerdotes ficaram enfurecidos com os apóstolos e os meteram na prisão (w. 17,18). Observe:

1. Quem eram os inimigos e perseguidores dos apóstolos. O líder do grupo era o sumo sacerdote Anás ou Caifás, que viu sua riqueza, dignidade, poder e tirania, ou seja, tudo o que tinha, em risco e inevitavelmente perdido, se a doutrina espiritual e divina de Jesus se firmasse e prevalecesse entre o povo.

Os membros da seita dos saduceus foram os primeiros a se unir nesse empreendimento com o sumo sacerdote, pois cultivavam uma inimizade peculiar ao evangelho de Cristo, que confirmava e estabelecia a doutrina do mundo invisível, a ressurreição dos mortos e o estado futuro que eles negavam. Não é estranho que homens sem religião sejam fanáticos em se opor à religião pura e verdadeira.

2. Como os inimigos dos apóstolos foram afetados por eles, insatisfatoriamente afetados, e exasperados ao extremo. Quando ouviram e viram as multidões que se reuniam em torno dos apóstolos, e como estavam ganhando respeitabilidade, eles se levantaram encolerizados. Não tolerariam mais essa situação e estavam decididos a opor-se a isso. Estavam com inveja dos apóstolos por pregarem a doutrina de Jesus e curarem os doentes, e com inveja do povo por ouvir os apóstolos e levar os doentes a eles para serem curados. Ficaram indignados eles mesmos e com sua própria seita por permitir que este assunto fosse tão longe, não tendo acabado com isso já no início.

Assim os inimigos de Jesus e do evangelho se atormentam a si mesmos. O zelo mata o tolo (Jó. 5.2).

3. Como os inimigos dos apóstolos instauraram processo contra eles: Eles lançaram mão dos apóstolos(v. 18), talvez com as próprias mãos (a que extremo sua malignidade os fez se rebaixarem), ou, mais propriamente, as mãos dos seus funcionários, e os puseram na prisão pública, entre os piores malfeitores.

Com este procedimento, eles intentavam: (1) Restringir a ação dos apóstolos. Embora eles não tivessem conseguido incriminá-los de algo merecedor de morte ou de prisão, enquanto os mantivessem presos, a obra dos apóstolos ficaria paralisada, ponto que consideravam importante. Já no início da igreja os embaixadores de Cristo eram aprisionados. (2) Amedrontar os apóstolos para afastá-los da obra. A última vez que eles estiveram na presença do Sinédrio, seus integrantes só os ameaçaram (cap. 4.21). Agora, sabendo que isto não deu certo, eles os encarceraram para que ficassem com medo. (3) Degradar os apóstolos. Eles resolveram trancafiá-los na prisão públicapara que, sendo vilipendia­dos dessa maneira, o povo deixasse de ter respeito por eles como vinha fazendo. Satanás continua em seu intento de combater o evangelho, fazendo com que os pregadores e mestres desta doutrina se mostrem desprezíveis

 


19 Mas naquela noite um anjo do Senhor abriu os portões da cadeia, levou os apóstolos para fora e disse: 20 —Vão para o Templo e anunciem ao povo tudo a respeito desta nova vida. 21 Os apóstolos obedeceram e no dia seguinte, bem cedo, entraram no pátio do Templo e começaram a ensinar. Então o Grande Sacerdote e os seus companheiros chamaram os líderes do povo para uma reunião do Conselho Superior. Depois mandaram que alguns guardas do Templo fossem buscar os apóstolos na cadeia. 22 Porém, quando os guardas chegaram lá, não encontraram os apóstolos. Então voltaram para o lugar onde o Conselho estava reunido 23 “e disseram: —Nós fomos até lá e encontramos a cadeia bem fechada, e os guardas vigiando os portões; mas, quando os abrimos, não achamos ninguém lá dentro.”
24 Quando os chefes dos sacerdotes e o chefe da guarda do Templo ouviram isso, ficaram sem saber o que pensar sobre o que havia acontecido com os apóstolos. 25 Nesse momento chegou alguém, dizendo: —Escutem! Os homens que vocês prenderam estão lá no pátio do Templo ensinando o povo!
26 Então o chefe da guarda do Templo e os seus homens saíram e trouxeram os apóstolos. Mas não os maltrataram porque tinham medo de serem apedrejados pelo povo.

Deus enviou o seu anjo para libertar os apóstolos da prisão e renovar a comissão de pregar o evangelho. Os poderes das trevas lutam contra eles, mas o Pai das luzes luta por eles e envia um anjo de luz para defender a causa deles. O Senhor nunca abandonará suas testemunhas, seus defensores, mas sempre estará do lado deles e os sustentará.

Os apóstolos são soltos, legalmente soltos, da prisão: Mas, de noite, um anjo do Senhor(v. 19), a despeito de todas as fechaduras e grades atrás das quais eles estavam, abriu as portas da prisão e, apesar de toda a vigilância e determinação dos guardas, que estavam fora, diante das portas (veja v. 23), tirou os prisioneiros para fora, deu-lhes autoridade para sair sem crime e os conduziu passando por toda situação oposta. Esta soltura não é narrada com tantos pormenores como a de Pedro (cap. 12.7ss.). Mas o milagre foi exatamente o mesmo. Veja que não há prisão tão escura, tão forte que Deus não apenas faça uma visita aos seus filhos, mas, se lhe apraz, os tire de lá. Esta libertação dos apóstolos da prisão por um anjo se assemelha à ressurreição de Jesus e sua libertação da prisão da sepultura e ajuda a confirmar a pregação dos apóstolos a esse respeito

O mundo dos céticos é pequeno demais. Alguns interpretes têm procurado eliminar completamente o ministério angelical, neste versículo, sugerindo que o termo «…anjo…» foi aqui usado em sentido figurado, como algum agente impessoal dos propósitos de Deus, como um carcereiro simpatizante, a ajuda de algum amigo ou a ação de um terremoto, relâmpago, etc.

Porém, apesar do fato de que Deus verdadeiramente pode realizar os seus desígnios mediante esse intermédio, não há razão alguma para duvidarmos de um ministério angelical direto e pessoal, por parte de algum ser que não pertence à ordem humana.

O ministério angelical, como no caso da destruição total do exército de Senaqueribe (ver II Reis 19:25), ou como no caso da intervenção angelical que protegeu Daniel dos leões, também pode ser encarado como obras de seres superiores ao homem. (Ver Dan. 6:22). Em nada ajuda reduzir a extensão das realidades metafísicas à medida daquilo que pode ser visto e apalpado, porque apenas uma pequena parcela da realidade é evidente para os sentidos da percepção humana, um fato que todo cientista ou filósofo reconhece. Nem mesmo os nossos instrumentos científicos mais sensíveis têm podido expandir muito o alcance dessa percepção, e o fato inegável é que a maior parte da realidade jamais é detectada pelos seres humanos.

O trecho de Hb. 1:14 indica que há um ativo ministério angelical em favor dos crentes: porém, até mesmo nas igrejas evangélicas, esse aspecto da verdade tem sido reduzido a quase nada. Como se tudo não passasse de mera teoria, talvez pelo receio de colocar intermediários entre Deus e o homem, que não sejam o Senhor Jesus Cristo. No entanto, os anjos desempenham um papel muito importante tanto no Antigo como no Novo Testamentos, e não lhes devemos atribuir posição menor do que aquela que as escrituras lhes atribuem. Os anjos podem curar e realizar feitos notáveis, e podem ser utilizados por Deus para concederem aos homens dons espirituais úteis na igreja cristã.

Para Deus não existem meras chances. Este versículo indica-nos a convicção dos crentes primitivos, de que as coisas não sucedem por acaso, mas ao contrario, que o Senhor Deus é quem dirige as vidas dos crentes—o bem e o mal sobrevêm a todos, mas não sem qualquer propósito, desígnio e alvos benévolos.

Essa crença fundamentada nas Escrituras e na experiência cristã se centraliza em volta do conceito bíblico do teísmo, em contraste com o deísmo. O primeiro ensina que Deus não apenas criou todas as coisas, mas também continua interessado pela sua criação, dirigindo-a, entrando em contato com os homens, punindo-os e galardoando-os, porque todos lhe devem prestar contas.

Já o deísmo ensina que apesar de alguma grande força, pessoal ou impessoal, haver criado tudo logo em seguida abandonou sua criação, tendo-se afastado dela, não tendo mais interesse por ela e nem entrando em contato com os homens, aos quais não castiga e nem premia.

Qual teria sido o motivo dessa intervenção sobrenatural, em favor dos apóstolos encarcerados? Alguns estudiosos crêem que esse livramento sobrenatural foi inútil, porquanto já no dia seguinte os apóstolos foram aprisionados novamente (ver o vs. 26). Todavia, a utilidade dessa intervenção pode ser vista nos seguintes pontos:

1. Serviu de sinal sobre a inutilidade de lutar contra aqueles que Deus protege, autenticando ainda mais as suas reivindicações, por ter-se tratado de um evento sumamente extraordinário.

2. Tudo isso pode ter influenciado a presente decisão do concilio judaico, já bem mais moderada, dando à igreja mais tempo de desenvolver-se, do que os cristãos bem estavam necessitados, antes de sobrevirem perseguições ainda mais severas.

3. Foi vantajoso, como ato de misericórdia para os apóstolos, terem ficado livres daqueles vis atormentadores, ainda que o tempo fosse curto.

4. Finalmente, a fé e a confiança dos apóstolos, bem como dos cristãos em geral, foram fortalecidas ainda mais, porquanto compreenderam que Deus estava realmente com eles, e que ninguém poderia fazê-los parar.

Os apóstolos continuaram com a obra: E, ouvindo eles isto(v. 21), quando os apóstolos ouviram que a vontade de Deus era que continuassem pregando no templo, eles voltaram ao alpendre de Salomão (v. 12).

Foi com grande satisfação que os apóstolos receberam as novas ordens. Talvez começassem a se questionar, caso ganhassem a liberdade, se deviam voltar a pregar publicamente no templo como vinham fazendo.

Afinal, Jesus lhes ordenara: Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra(Mt 10.23). Mas agora que o anjo os ordenou a irem pregar no templo, o caminho estava livre. Aventuraram-se sem dificuldade, entraram no templo e não temeram a face do homem.

Veja que se não estivermos satisfeitos com nosso dever, nossa obrigação é nos manter firmes e, com alegria, entregar nossa segurança a Deus.

Os apóstolos se puseram a obedecer às ordens imediatamente, sem discussão ou demora. Eles entraram de manhã cedo no templo (assim que as portas foram abertas e as pessoas começaram a chegar), e ensinavam (v. 21) ao povo o Evangelho do Reino.

Não temiam nenhum pouco o que os homens pudessem fazer com eles. Esta circunstância era inusitada: o tesouro do evangelho estava inteiramente nas mãos dos apóstolos. Se neste momento eles se calassem, a fonte se fecharia, e toda a obra feita até agora seria em vão e cessaria. Não é esse o caso dos ministros comuns, os quais, por este exemplo, não estão obrigados a se lançar na boca do perigo. Mas quando Deus dá a oportunidade de fazermos o bem, embora estejamos sob a restrição e terror de poderes humanos, devemos nos aventurar e não deixar escapar tal oportunidade.

 

 

27 Depois puseram os apóstolos em frente do Conselho. E o Grande Sacerdote disse: 28 —Nós ordenamos que vocês não ensinassem nada a respeito daquele homem. E o que foi que vocês fizeram? Espalharam esse ensinamento por toda a cidade de Jerusalém e ainda querem nos culpar pela morte dele!

O aprisionamento dos apóstolos pela segunda vez. Ficamos nos perguntando que se Deus designara que os apóstolos comparecessem diante deste tribunal, “por que eles foram soltos a primeira vez em que foram presos?”

O propósito era humilhar o orgulho e deter a fúria dos perseguidores. Agora Deus mostraria que seriam soltos, não porque temessem o julgamento, mas porque estavam prontos a se entregar e comparecer diante do maior dos seus inimigos.

O capitão com os servidores (v. 26) levaram os apóstolos sem violência, com todo o respeito e gentileza. Eles não os arrancaram do púlpito, nem os amarraram, nem os arrastaram à força, mas os abordaram com consideração. Pensaríamos que eles tinham razão em agir assim, em reverência ao templo, o santo lugar, e por medo dos apóstolos, para que não os ferissem, como fizeram com Ananias, ou mandassem fogo do céu sobre eles, como fez Elias. Mas não foi nada disso que lhes reteve a violência. Foi o medo que tinham do povo, que reverenciava em extremo os apóstolos e que teria apedrejado o capitão com os servidores caso tivessem sido violentos com eles.

O capitão com os servidores levaram os apóstolos àqueles que sabiam poder usar de violência para com eles e que estavam de fato decididos a tomar medidas violentas: E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho(v. 27), como delinquentes. Assim o poder que deveria ter sido um terror para as más obras e os maus obreiros se tornou um terror para o bem.

Durante as investigações antigas, os juízes costumavam sentar-se (ver Atos 6:15 e 23:3) enquanto os acusados, as testemunhas e os que falavam, se mantinham de pé (ver Marc. 14:57,60; Atos 4.7; 5:27,34; 6:13 e 23:8).

Cumpriu-se a predição do Senhor Jesus, em Mat. 10:17, de que os seus seguidores seriam apresentados aos concílios dos homens. Os apóstolos foram postos no meio, e os juízes, conforme também era costumeiro, evidentemente se assentaram formando um semicírculo. (Quanto a isso, ver também a passagem de Atos 4:7).

 


29 Então Pedro e os outros apóstolos responderam: —Nós devemos obedecer a Deus e não às pessoas. 30 Os senhores crucificaram Jesus, mas o Deus dos nossos antepassados o ressuscitou. 31 E Deus o colocou à sua direita como Líder e Salvador, para dar ao povo de Israel oportunidade de se arrepender e receber o perdão dos seus pecados. 32 Nós somos testemunhas de tudo isso—nós e o Espírito Santo, que Deus dá aos que lhe obedecem.

O conselho diante do qual os apóstolos se apresentaram dificilmente podia ser o Sinédrio regularmente constituído. Provavelmente, era uma corte sacerdotal de inquérito, com representantes dos fariseus convidados à assembléia como conselheiros.

O sumo sacerdote acusou os apóstolos de violação da ordem do conselho. Eles os haviam admoestado expressamente para não pregarem em nome de Jesus.

Ele ainda os acusou também de estarem incitando o povo contra o conselho, a fim de suscitar vingança contra eles pela morte de Jesus.

Na sua defesa, Pedro e os outros apóstolos disseram que importa antes obedecer a Deus que aos homens.

Quanto à segunda acusação, eles negaram qualquer desejo de obter vingança pela morte de Jesus. Pelo contrário, afirmaram que esse Jesus, de quem os saduceus haviam tentado fazer uma maldição aos olhos de Deus (Deut. 21:23), havia sido exaltado à destra de Deus. Ao invés de vingança, havia perdão para os que se arrependessem e cressem em Cristo.

O princípio apostólico ainda se aplica hoje. Precisamos obedecer a Deus antes que aos homens. Muitas autoridades lutam por nossa lealdade suprema. Acima de nossa lealdade aos pais, à família, a grupos sociais e a partidos políticos ou grupos religiosos está a nossa lealdade a Deus.

Toda sorte de pressões podem ser usadas contra nós, para nos levarem a nos conformar com as exigências das estruturas de poder que são contrárias às convicções cristãs. Não devemos condescender em relação às nossas convicções.

Significa isto que pode tomar-se necessário desobedecer à lei civil, a fim de obedecer a Deus? Esta é uma pergunta provocante e importante em nossa época.

Cada cristão precisa avaliar o custo, e fazer a sua própria decisão.

 

33 Quando os membros do Conselho ouviram isso, ficaram com tanta raiva, que resolveram matar os apóstolos.
34 Mas levantou-se um dos membros do Conselho, um fariseu chamado Gamaliel, que era um mestre da Lei respeitado por todos. Ele mandou que levassem os apóstolos para fora e os deixassem ali um pouco. 35 Então disse ao Conselho: —Homens de Israel, cuidado com o que vão fazer com estes homens. 36 Há pouco tempo apareceu um homem chamado Teudas, que se dizia muito importante e que com isso conseguiu reunir quatrocentos seguidores. Mas ele foi morto, todos os seus seguidores foram espalhados, e a revolta dele fracassou. 37 Depois disso apareceu Judas, o Galileu, na época do recenseamento. Este também conseguiu juntar muita gente, mas foi morto, e todos os seus seguidores foram espalhados. 38 Portanto, neste caso de agora, não façam nada contra estes homens. Deixem que vão embora porque, se este plano ou este trabalho vem de seres humanos, ele desaparecerá. 39 Mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-lo, pois neste caso estariam lutando contra Deus. E o Conselho aceitou a opinião de Gamaliel.

A defesa dos apóstolos enfureceu tanto os saduceus, ao ponto de eles quererem matá-los. Felizmente, um fariseu refreou a sua ação, com uma pitada de conselho sábio. Esta é a primeira vez que encontramos uma opinião dos fariseus em relação aos seguidores de Jesus.

O porta-voz dos fariseus foi Gamaliel. Em um dos relatos da conversão de Paulo, somos informados que esse rabi foi o mestre de Paulo em Jerusalém (At. 22:3). Gamaliel era descendente de Hillel (provavelmente neto), Hillel foi um dos últimos rabis pelos quais a tradição oral foi transmitida. Hillel era mais liberal, em sua interpretação da Lei, do que o seu mestre rival, Shammai.

Sabemos muito pouco a respeito de Gamaliel, mas presumimos que ele era da mesma tradição liberal de Hillel. Freqüentemente, os eruditos fazem, acerca de Gamaliel, declarações que encontram na Mishnah, mas estas, na verdade, se referem ao seu neto Gamaliel II.

Gamaliel fez o concílio lembrar-se que tinha havido outros movimentos messiânicos, que haviam cessado de existir porque não eram de Deus. Recordou o grupo de conspiradores liderados por Teudas, que não tivera sucesso.

Josefo conta-nos que Teudas liderara uma grande multidão, levando-a até o rio Jordão, prometendo que abriria as águas como Josué na antiguidade. Cuspius Fadus, procurador que sucedera Herodes Agripa I no ano 44 d.C., enviou alguns soldados, para perseguirem Teudas. Este foi decapitado, e os seus seguidores foram mortos. De acordo com Josefo, isto ocorreu algum tempo depois de 44 d.C., portanto, mais de oito anos depois do discurso de Gamaliel.

Tem sido proposto, por algumas pessoas, que nada há, na declaração de Gamaliel, que identifique plenamente Teudas com o personagem de Josefo. Houve muitos movimentos semelhantes no primeiro século d.C. É também concebível que houvesse mais de um Teudas.

Em relação à narrativa de Judas, não há problema. Judas de Gamala, na Galiléia, liderara um bando de inconfidentes, contra os romanos, em 6 d.C., quando Quirino, legado da Síria, tentara levantar um censo na Palestina. Judas era filho de Ezequias, revolucionário que foi suprimido por Herodes, o Grande. O movimento foi prontamente sufocado pelos romanos. Não obstante, a semente desse grupo cresceu, até tornar-se o partido zelote, que instigou a revolução contra Roma em 66-70 d.C.

Gamaliel advertiu os saduceus que, se Deus estava do lado dos seguidores de Jesus, nada podia ser feito. Se qualquer ação fosse iniciada contra Pedro e os apóstolos, e se o que eles anunciavam era de Deus, as autoridades estariam na posição de estarem lutando contra os propósitos de Deus. A sua sugestão foi uma política de esperar e ver. Tal posição era consentânea com o ensino dos fariseus, a respeito da providência de Deus.

Por conseguinte, Gamaliel expressou a fé de que a casa espiritual que Deus não edificou haverá de ruir sob o seu próprio peso, esboroando-se no pó; porém, que aquilo que Deus constrói nào pode ser derrubado por qualquer esforço humano, nem mesmo por exércitos, tal como as tropas romanas, que derrotaram Teudas e Judas, o galileu, e também certamente nem por qualquer tribunal religioso, como era o caso do sinédrio.

 


40 “Então chamaram os apóstolos e os chicotearam; e aí mandaram que nunca mais falassem nada a respeito de Jesus. Depois os soltaram.” 41 Os apóstolos saíram do Conselho muito alegres porque Deus havia achado que eles eram dignos de serem insultados por serem seguidores de Jesus. 42 E, todos os dias, no pátio do Templo e de casa em casa, eles continuavam a ensinar e a anunciar a boa notícia a respeito de Jesus, o Messias.

A opinião de Gamaliel prevaleceu no concílio, e os saduceus decidiram seguir o seu conselho. Os apóstolos não conseguiram sair tão facilmente, porque receberam açoites, das mãos dos oficiais, e mais uma recomendação para não ensinarem em nome de Jesus.

O açoitamento e a repreensão não amedrontaram os apóstolos. Eles se regozijaram pela honra de sofrer por Cristo, e continuaram a ensinar no Templo.

O conselho de Gamaliel é importante para os nossos dias. Freqüentemente, tentamos suprimir movimentos porque não concordam com o padrão de verdade que esposamos. Preferimos desarraigá-los, porque são uma ameaça para a nossa posição. Com medo e ódio, tomamos medidas extremas para obliterá-los.

Devemos esperar e ver o que acontece, antes de nos tornarmos violentos em nossa oposição. Em nossa pressa, muitas vezes descobrimos que o nosso antagonismo se exercera contra uma atividade de Deus na história.

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Curso de homilética

CURSO TEOLÓGICO A DISTÂNCIA

CURSO DE HOMILÉTICA

UMA INTRODUÇÃO A ARTE DA PREGAÇÃO

 

 

Professor:

Pr. Josias Moura de Menezes

Site: http://www.josiasmoura.wordpress.com

Email: josiasmoura@hotmail.com

 

 

PARTE 01 DO CURSO DE HOMILETICA

 

INTRODUÇÃO

 

Após 41 anos de ministério Carlos Spurgeon não havia esgotado a matéria da pregação: a Bíblia Sagrada. Ele construiu o “Metropolitan Tabernáculo” em 1861 medindo 80mt de comprimento e 28mt de largura, com 20mt de altura. Spurgeon pregou ali mais de 300 vezes por amor, em média de 5.000 pessoas por vez. De três em três meses pedia aos que assistiam que se ausentassem, para que outros pudessem ocupar seus lugares. Sua pregação durava de uma a três horas por vez.

Disse o apóstolo Paulo:

“PREGUES A PALAVRA…”

Spurgeon tomara isso como uma ordem divina de seu mestre!

 

 

 

DEFINIÇÃO DE PREGAÇÃO E HOMILÉTICA

 

 

Pregação: é a comunicação ou transmissão oral da divina verdade com o fim de persuadir:

Homilética: é uma palavra grega que quer dizer: “multidão ou assembléia do povo”.

Gr. Clássico: “conversar;” “discurso familiar feito em assembléia”.

Nesta definição estão implícitos os seguintes elementos:

  1. HOMEM

  2. A MATÉRIA

  3. MÉTODO

  4. PROPÓSITO

 

 

INSTUMENTO: O homem é instrumento da pregação pela chamada divina – (Ef. 4.11; Rm. 10-14-17)

Cada pessoa neste mundo tem ou sente uma vocação natural para alguma missão ou atividade. É a vocação natural, a queda, a inclinação no dizer comum, daí, o sacerdócio natural; visto sob essa tendência, cada um se aplica a alguma atividade no seu feito moral, do seu gosto. Assim, há múltiplas profissões entre os homens.

Não está nesta categoria o fenômeno da vocação do servo do Senhor. Ela é alguma coisa mais importante, que algum Dom mais excelente sobrenatural mesmo. Não há dúvida de que haja relação entre ele, que a tendência própria do indivíduo torna-se uma força, um motivo, um guia psicológico na sua chamada divina ao trabalho.

 

Contudo, a chamada deve ser divina. Deve ser especial. Pode ser que um indivíduo dotado de certos pendores, tendo certos gostos, seja levado a aceitar e entrar na carreira religiosa sem vocação divina e até certo ponto leve avante o seu esforço, mas falhará e nunca fará o

trabalho que lhe foi confiado. Às vezes foi uma visão real, outras vezes uma ambição qualquer, um interesse terreno e egoísta. E assim não será nunca reconhecido pelo Senhor como seu servo (Fil. 1.16).

 

 

 

 

  1. FONTES NA BÍBLIA DA CHAMADA DIVINA

 

  1. Isaías – Is. 6.1-3;
  2. MOISÉS – Êx. 3;
  3. At. 9; Rm. 8.28-30; I Co. 1.17; Paulo

 

 

 

  1. COMO PROVIDÊNCIA DE DEUS

 

“Nossa época deseja, reclama. Está preparada para receber não o sacerdote mas o profeta” Bispo Frazer (Inglaterra).

 

 

 

 

  1. O PREPARO DO HOMEM DE DEUS

 

  1. Um propósito na vida – II Tm. 2.4
  2. Atenção dividida entre o escritório e jogo, entre uma coisa e outra, dará em fracasso; (Mt. 6.24; Lc. 9.62).
  3. Coloca-se inteiramente a disposição de Deus. (At. 9.6; Rm. 12.1; Hb. 10.7).
  4. Ser liberto de impedimento. (Is. 59.1-2; I Co. 4.6-10; I Pe. 5.12; Jd. 2).
  5. Ser batizado e cheio do Espírito Santo. (Lc. 24.39; At. 4.8; I Co. 12.1-31). O obreiro necessita deste poder para servir ao Senhor com eficácia.
  6. Prevalecer em oração. Jacó disse: “Não te deixarei ir se não me abençoares”. “Ao ser chamado um homem de grande fé, um crente respondeu: não, tenho pouca fé, mas um grande Deus”. (Mt. 21.22; Lc. 11.15; Jo. 7.53; 8.1; I Tss. 5.17).
  7. Estudar as escrituras, indica ser “discípulo”. (I Sm. 19.18-24), mostra Samuel dirigindo-se à escola dos profetas. Os profetas, portanto, preparavam-se em Gilgal, Nairote, Betel e Jericó. (I Sm. 10.5; 11.4; 13.15; 18.9; 9.19; II Rs. 2.3,5). Em Atos 19.9, quando Paulo já não mais podia ensinar nas sinagogas, ensinou na escola de um certo Tirano todos os dias dando, por assim, um curso de dois anos. Por este meio toda a Ásia, através de obreiros treinados, ouviram a palavra. Citemos ainda (II Tm. 2.15; 4.13).
  8. O homem de Deus deve Ter uma mensagem do Espírito Santo. “Ide e Pregai”, disse Jesus. Em I Co. 14.8, Paulo fala em dar um som certo. Alguns começam num texto e nunca voltam a ele.
  9. Ter fé e esperar para Ter resultados. (Sl. 126.6; Mt. 19.20).

 

 

 

  1. AS CAPACIDADES NATURAIS DO PREGADOR

 

  1. QUALIFICAÇÕES FÍSICAS. Mais fácil ver-se o valor da intelectualidade do homem que dar importância, embora secundária do físico. Não imterpretar literalmente as Escrituras, os que falam na mortificação: mas conservar o corpo nas melhores condições para servir ao Espírito.
  2. APARÊNCIA INFLUI NO TRABALHO DO PREGADOR… Voz, depende, em parte da força física.

 

 

 

  1. CULTIVO DA PERSONALIDADE

 


  1. O talento pode ser sepultado pela negligência. Três coisas importantes:
    1. Alimentação – 2. Exercício – 3. Repouso – Lc. 21.34

 


  1. Cultivo Intelectual.

Como mencionado acima, o pregador tem que ser um estudante contínuo das Escrituras. Pode, por descuido, cair no erro de uma rotina seca de repetição de certas frases e expressões, e seus sermões não mais despertem o interesse do povo.

 

 

  1. SISTEMA DE ESTUDO

 

  1. Necessita de organizar os trabalhos e estudos diários
  2. Aquisição de livros sobre Teologia e Filosofia (ou seja História), Ética, Sociologia, Ciências, Etc…

     

     

 

 

O TEMA DO SERMÃO

O pregador deve ser um homem de Deus com a mensagem de Deus. O seu tema por excelência é a mensagem da Salvação que se encontra nas Sagradas Escrituras. (II Tm. 2.13;4.1-5). A fonte deve ser a palavra de Deus.

 

  1. Escolha as passagens através de toda a Bíblia. Alguns pregadores pregam só no Novo Testamento ou certos livros somente. E sobre os mesmos temas. Deve pregar “toda a palavra de Deus”.
  2. Escolha o tema em vista a necessidade do povo a quem está ministrando. Aquele Pastor o Pregador que tem em vista o bem-estar do povo trará uma mensagem que o ajudará. Levará mensagem de conforto, edificação e estímulo espiritual (I Co. 14.3; II Co. 1.3-6).
  3. Experiência. O pregador por excelência foi o nosso Senhor Jesus Cristo. Qual foi o tema das sua mensagens? Sim, muitos exemplos disto: Mt.13; Mc. 4; Lc. 9.46, além de muito mais. Devemos procurar pregar aquilo que temos mesmo experimentado (II Tm. 2.6)
  4. Tema em positivo. Os temas: “Existe Deus?”, “Ressuscitou Jesus Cristo dos mortos?” ou “É realmente inspirada a Bíblia?”, suscitam mais a dúvida do que a fé. É bom buscar a forma do interrogatório, mas, de uma forma positiva. “Como posso ser salvo?”, “Curado”, “Batizado com o Espírito Santo”, etc. Vida diária… encontraremos através dos nossos contatos diários fontes inesgotáveis para nossas mensagens. O trabalho pessoal de ganhar almas nos fornece muitos temas dentro da palavra.

 

 

 

O TEXTO

 

A palavra “texto” deriva-se do latim da palavra “texere”, que significa “tecer”. O texto é o tecido que se manifesta em todo sermão. Era contume na antigüidade ler-se a narrativa de qualquer autor e fazer comentário durante a leitura. Esses comentários foram escritos à margem das páginas. As palavras do autor vieram a ser chamados textos. Mais tarde, quando os comentários foram organizados em discurso tomaram o nome de texto. O método expositivo prevalecia na pregação daquela época. Segundo esta idéia, chamamos hoje em dia de texto as palavras das escrituras que constituem a base do sermão ou mensagem. O campo é o mundo!

 

 

 

  1. Sinagoga Judaica. Na sinagoga, o discurso consistia em leituras de textos e explanações do Antigo Testamento, (Lc. 4). Vemos o apóstolo Paulo fazendo um discurso longo na sinagoga dos judeus (Antioquia).
  2. Cristãos primitivos. Na assembléia dos primitivos crentes provavelmente tiveram nos cultos leituras, explanações e exortações baseados em textos do Antigo Testamento e nas palavras de Jesus e dos apóstolos (At. 2.42). várias exortações ou mensagens foram dadas cada vez que reuniam-se (Col. 3.16; Ef. 5.19). as referências indicam que eram também palestras informais. Os reformadores, no entanto, no seu zelo de restaurar a Bíblia ao povo introduziram o método de usar o texto como a base da mensagem e tem sido usado até os nossos dias e tem provado ser eficiente.
  3. Autoridade do texto. A Bíblia é a palavra de Deus. O texto chama atenção ao livro dos livros, a Bíblia. Os ensinos da Bíblia merecem acima de todos os outros livros a consideração e respeito do homem. Quando um pregador oferece uma interpretação como verdade, fundamentada nas escrituras, podemos ou não aceitá-la. (Mt. 4.4).
  4. Texto ajuda para que a mensagem seja lembrada e tenha êxito. O texto não só dá a verdade espiritual, o pensamento, mas expressa em linguagem clara e poderosa. (Rm. 3.23).
  5. Texto desperta o desejo entre os crentes, de conhecer mais da palavra de Deus. Aqueles que se interessam na palavra de Deus, terão um ponto de partida para continuar seu estudo.
  6. Texto não só ajuda na introdução de uma verdade, ou assunto, mas ajuda em se desenvolvê-lo. Acima de tudo não é pela nossa sabedoria, mas somente na medida que damos ao povo a pura palavra que poderão ser sábios para a salvação.

 

 

REGRAS PARA ESCOLHA DO TEXTO

 

  1. Deve-se evitar a escolha de passagens que relatam palavras de homens ímpio e de Satanás, citados nas escrituras. No entanto, há palavras humanas que servem para o texto: “Que farei de Jesus, chamado Cristo?”
  2. Escolha textos claros – a vantagem é que o auditório pode facilmente compreender o sentido e atenciosamente acompanhar o desenvolvimento da mensagem.
  3. Evite textos não completos, “e Pedro”. Quase sempre textos abreviados não servem para dar um “som certo” à mensagem.
  4. Em contraste disto, evite textos muitos compridos. Geralmente são compridos demais para ser facilmente lembrados. Também incluem um escopo grande de verdade. Isto não quer dizer que uma leitura, mais ou menos comprida, não pode ser feita para dela ser tirado o texto.
  5. Não evite textos conhecidos por serem muito familiares. Todavia o pregador que usar textos muito batidos, deve extrair deles algo novo.

 

 

 

 

 

  1. Escolha textos tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. Embora mencionamos este fato, convém lembrar que “toda” escritura é dada para nossa edificação.
  2. Escolher passagens, textos, que tenham cabimento à ocasião e que satisfaçam as necessidades da congregação. Numa inauguração convém falar sobre assuntos relacionados como em outras ocasiões especiais. Passagens que tragam lições, estímulos e soluções para os problemas do povo serão bem escolhidos.

 

 

EXEMPLOS DE ESBOÇO

 

 

“Seu nome será chamado, “Maravilhoso”. (tema)

 

Introdução: Todo estágio da vida de Jesus, foi maravilhoso. Disse Napoleão: “Eu conheço homens e digo que Jesus não foi mero homem. Tudo acerca dele me faz maravilhar”. Uma comparação entre Ele e outro ser humano é impossível. Ele é um ser por si.

 

 

 

Jesus foi maravilhoso em seu:

  1. Nascimento: muito da vida dele não entendemos. Assim foi o nascimento de Jesus. Tudo é possível a Deus.

 

 

  1. Ministério:
  1. Ensino – o ensino de Jesus superou o ensino de Moisés.
  2. Milagres – o milagre é o coração da narrativa dos evangelistas.
  3. Pureza – somente é apresentado nas escrituras como sendo perfeito.

 

 

3. A morte: seu caráter maravilhoso visto por:

  1. Instrumento – os fariseus, os religiosos da época.
  2. Circunstância – escolhido o messias em vez de Cristo.
  3. Maneira suportada – orou pelos inimigos… tão maravilhoso que o centurião diz: “verdadeiramente este era o Filho de Deus
  4. Ressurreição – tão maravilhosa que os discípulos não compreenderam. Tomé: “se eu não ver o sinal dos cravos em sua mão e não meter o dedo no lugar dos cravos… não crereis (Jo. 20.25).

 

 

 

 

Conclusão: toda a fase da vida de Jesus foi maravilhosa. Sua obra foi maravilhosa. Ele pode salvar maravilhosamente hoje e operar milagres na sua vida, etc…

Tópicos como: oração, fé, paz, etc., podem ser empregados conforme a escolha. A única desvantagem deste tipo de sermão é sua falta de originalidade. Este é o mais fácil de preparar. Faz menos uso do texto e quando trata de um assunto vasto, faz menos exigência do pregador. Temos a classificação de assuntos doutrinários, temas morais, biográficos, da experiência, assuntos históricos e temas ocasionais.

 

 

EDIFICAÇÃO DO SERMÃO

 

O esboço. O sermão, de modo geral, consiste de seis partes, a saber:

  1. tema
  2. texto
  3. A Introdução ou Exórdio
  4. Corpo ou Divisão (desenvolvimento) do sermão
  5. Conclusão do sermão

Vantagens: Pensamento organizado, dá direção e claridade, ajuda lembrar detalhes e pormenores. Tudo dito de vantagem para o pregador pode ser dito do ouvinte. Mensagem assim apresentadas poderão ser repetidas como compreendidas.

 

 

Introdução: Características.

  1. Deve ser preparada de antemão (não necessariamente nesta ordem);
  2. Deve ser breve;
  3. Não antecipar o conteúdo do corpo.

 

 

Corpo ou Divisão: Características.

  1. Deve ser lógico;
  2. Visitar unidade do sermão;
  3. Ser relacionado com o texto;
  4. Ter relação entre um ponto e outro;
  5. A transição entre os pontos, deve ser suave.

 

Quantidade de Pontos ou Divisões:

  1. Divide-se em tantos quantos necessários;
  2. Evitar pontos numerosos;
  3. Em geral não além de quatro ou cinco e nem aquém de duas;
  4. Sermão ideal e lógico terá três pontos;
  5. Cada ponto principal deverá estar intimamente ligado ao texto.

     

     

 

 

 

Subdivisão:

Quantidade, quatro necessário que explicam ou analisam o ponto principal. Subponto pode ser dividido se necessário.

 

Conclusão:

  1. Deve ser breve:
  2. Não improvisada;
  3. Pode ser recapitulação dos pontos principais;
  4. Aplicações objetivas e práticas;
  5. Pode ser feita em forma de veemente apelo a aceitação da verdade pregada.

 

 

Ilustração:

A ilustração no sermão é um dos elementos que ajuda gravar mais a verdade divina na mente e coração do ouvinte. O uso principal é para explicar, para provar uma coisa, para embelezar o discurso, despertar a atenção, estimular emoções e ajudar a memória reter os pontos. Não é necessariamente obrigatório o uso de uma ilustração no sermão.

 

 

Observações sobre interpretação do texto.

  1. Interpretar o texto de conformidade com o ensino geral e consagrado das escrituras, e não contrariamente;
  2. Interpretar o texto à luz do contexto;
  3. Interpretar gramaticalmente;
  4. Logicamente;
  5. Historicamente;
  6. Interpretar o texto figuradamente ou alegoricamente.

 

 

O PROPÓSITO

 

“O Dr. James S. Stewart cita no seu livro, o testemunho do escritor Ernest Raymund sobre o sermão mais importante que tinha visto. Intelectualmente, aquele sermão foi um fracasso e esteticamente, fragmentário, e o estilo de falar foi péssimo. Mesmo assim seu efeito foi maravilhoso, foi no tempo da Gerra de 1914-1918. “Falava para um grupo de soldados prestes a sair para a batalha. Citou as palavras de Jesus: “Vinde a mim, todas os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Depois da pregação, os soldados, geralmente barulhentos, ficaram profundamente quietos e pensativos. Ouviram dos lábios ungidos de um homem de Deus. O embaixador de Deus tirou para os seus ouvintes o véu e eles se achavam na presença de Deus. Sem o auxílio de técnica, o mensageiro alcançou a finalidade da pregação, e produziu nos ouvintes o sentido profundo da presença de Deus”.

 

 

 

A DOUTRINA BÍBLICA DO MINISTÉRIO

 

Dr. A.R.Grabtres.

Que será então, o propósito da pregação? Na nossa definição da palavra “pregação” vem implícito este propósito: “persuadir”. Disse o apóstolo: “assim sabemos o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestados a Deus” (II Co. 5.11; At. 26.28; 28.23).

 

Uma autoridade tem expresso este propósito da seguinte forma:

  1. Transmitir a verdade Bíblica ao povo;
  2. Fazer conhecer a misericórdia de Deus, que perdoa e salva em Cristo;
  3. Induzir o homem a abandonar o pecado e a começar uma nova vida em Jesus;
  4. Guiar a alma arrependida até onde sua fé no Filho de Deus torne firme e dê frutos de uma genuína conversão.

 

Assim sendo podemos ainda dizer que “a vida mais abundante, é o alvo do cristianismo e o ideal do ministro.”

 

 

  1. O MINISTRO E SEU FIM
  1. Compreensão clara do fim do seu ministério é de importância primária ao pregador;
  2. homem e seus interesses espirituais devem ocupar o centro do trabalho do ministro. O sucesso é proporcional à estatura espiritual dos seus discípulos. O exemplo de Jesus é saliente;
  3. Ele tem que falar da sua experiência como testemunho.

 

 

 

  1. O MINISTRO E O SERMÃO
  1. A função do sermão é importante, mas deve ser subsidiário, um instrumento nas mãos do pregador;
  2. caráter do sermão é de grande importância. O estilo precisa ser simples e claro. O pregador deverá trazer o fim prático do sermão bem a vista.

 

 

Vamos considerar agora o plano executado por Deus nas vidas de alguns homens que tiveram ou deveriam Ter este firme propósito de servir a Deus e ao povo a quem Ele lhes mandou.

 

 

 

 

 

 

 

  1. JOSUÉ O SERVO TORNOU-SE, JOSUÉ O LÍDER (Js. 1.2-9)

 

  1. Deus planejou fazer de Josué o líder (Êx. 17.14);
  2. Josué por fim cumpriu o plano de Deus;
  3. Josué começou como servo de Moisés (Êx. 33.11);
  4. Como servo, esperou em Deus;
  5. Deus deu-lhe capacidade pelo Espírito a medida que o seu ministério desenvolveu (Dt. 34.9). finalmente, Josué o servo de Moisés o líder de Israel (Js 1.1).

 

 

  1. ELISEU O SERVO TORNOU-SE, ELISEU O PROFETA (II Rs. 2).

 

  1. Eliseu era um lavrador chamado para servir Elias em trabalhos humildes (I Rs. 19.19-21);
  2. Podemos traçar os passos do lavrador e servo ao profeta, porque Ele serviu fielmente em cada nível da direção progressiva de Deus.
  3. Como Eliseu, devemos servir fielmente no lugar onde estamos para que alcancemos o lugar de maior presteza a Deus e a seu povo.

 

 

  1. GEAZI O SERVO TORNOU-SE, GEASI O LEPROSO (II Rs. 5)

 

  1. Geasi tinha toda oportunidade como servo do profeta de tornar-se um servo útil a Deus como Eliseu;
  2. desenvolvimento espiritual do ministério de Geasi foi continuamente prejudicado por sua infidelidade;
  3. Como Geasi, nós também, fracassaremos se deixarmos de servir fielmente nas mínimas coisas.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PARTE 02 DO CURSO DE HOMILETICA

 

 

 

DEFINIÇÃO

 

  1. Homilética ou Retórica Sagrada, é um ramo da eloquência, que por sua vez, é um ramo das Belas-Artes; tem por finalidade convencer, persuadir, agradar e firmar doutrinas nos ouvintes.
  2. “Homilética é a teoria da prédica, ou a arte de pregar.”
  3. “É a ciência que trata da natureza, da classificação e da composição do sermão.”
  4. É o conjunto de regras empregadas na arte de pregar as verdades doutrinárias das Escrituras Sagradas, sob o ponto de vista de convencer mediante o meio empregado pelo orador para levar seus ouvintes a concordarem com suas razões ou opiniões e depois induzi-los a tomarem uma decisão na mesma linha de pensamento. A Homilética é igualmente a arte de que se serve o pregador para transmitir a quem ouve as verdades eternas da palavra de Deus, a fim de que os pecadores aceitem a Jesus Cristo como Salvador pessoal, creia, no Evangelho, e procurem viver de modo digno e feliz. Tem por fim também, instruir, confortar e corrigir.

 

 

ORIGEM DA HOMILÉTICA

A retórica sagrada foi introduzida com o nome de Homilética do grego (, nas escolas, no século XVII, quando os principais ramos da Enciclopédia Religiosa tomaram nomes gregos, por exemplos: “Dogmática, Apologéticas, Hermenêutica, Polêmica, etc.”

A palavra sermão vem do latim “sermo”; conversar. Também o vocábulo “eratione”, oração, é equivalente a discurso ou sermão.

O vocábulo retórica (do gr. “rhetor”, – orador numa assembléia), tem sido interpretado como a arte de falar bem a arte de oratória, isto é, a arte de usar todos os meios e recursos da linguagem com o objetivo de provar determinado efeito nos ouvintes.

 

Os gregos sofistas a dividem em três grupos:

  • Política;
  • Forense;
  • Epidítica (demonstrativa).

A retórica ensinada na Grécia antiga pelos sofistas, fundamentada em princípios disciplinares de condutas, teve origem na Sicília, no V século A.C., através de siracusano Córax e seu discípulo Tísias.

 

 

 

 

OS GRANDES MESTRES DA ORATÓRIA

 

  • CÍCERO – Orador Romano. Nascido no ano 106 a.C.
  • QUINTILIANO – Nascido na metade do primeiro século da Era Cristã.
  • DEMÓSTENES

 

 

SUA IMPORTÂNCIA

 

Sendo o conjunto de regras aplicadas ao discurso, a Homilética constitui uma das modalidades mais interessantes e imprescindíveis ao trabalho do obreiro evangélico na entrega da mensagem divina aos pecadores, a fim de compreenderem a necessidade de sua própria salvação, mediante reconciliação com Deus por Cristo Jesus, e arrependimento de seus pecados para que sejam novas criaturas, alcancem os objetivos supremos da vida espiritual e cumpram alegres e conscientemente a sua missão no mundo como testemunhas de Cristo. A pregação deve ser considerada a mais nobre tarefa que existe na terra.

 

 

 

RAZÕES

 

  1. Sempre foi o meio mais eficaz usado por Deus para transmitir aos homens e aos povos a sua vontade e seus planos de amor e misericórdia em favor dos mesmos homens. “aprouve a Deus salvar o mundo pela loucura da pregação.”
  2. Na História Eclesiástica e na Civilização, vemos a confirmação da tese própria.
  3. A nossa própria experiência confirma essa grande realidade. Pregadores foram Enoque e Noé. Pregadores foram todos os profetas. Pregadores foi João Batista. Jesus foi o maravilhoso pregador que a todos atraía.

    Os apóstolos foram excelentes pregadores, a começar por Pedro. Eloqüentes foram Estevão, Apolo, Barnabé. Pregador cintilante foi Paulo. Reformadores dos séculos XVI e XVII e até em nossos dias tem abalado as nações adormecidas e escravizadas aos erros, e ao despotismo eclesiástico e civil.

 

 

 

FONTES DE HOMILÉTICA

 

Quais são as fontes para Homilética? Sem dúvida, que tudo deve construir ricas fontes para a prática pastoral. Porém existem fontes específicas:

 

 

 

  1. BÍBLIA

As Escrituras do V.T. e do N.T., constituem um poderoso arsenal de onde todos os verdadeiros pregadores tiram munição para os seus combates. A palavra de Deus é chamada “Espada do Espírito.” Não há no mundo elementos tão poderosos e eficazes para o combate ao erro, ao pecado, à hostes de Satanás, como as Doutrinas da Palavra de Deus que é verdade eterna, luz infuscável do infinito e da eternidade. A Bíblia contém argumentos, respostas, exemplos, doutrinas, ciência para todos os casos, todos os tempos e para todos os homens.

Jesus usou a Bíblia contra seus adversários e até contra Satanás. Os discípulos e a Igreja Cristã fizeram o mesmo. Ela é um manancial de águas frescas – (Jo. 4.13; II Tm. 3.16-17). Só a Palavra de Deus dá certeza da salvação e vida eterna em Jesus Cristo.

 

 

  1. PATRÍSTICA

Também chamado o período dos pais da Igreja. O período apostólico até o Concílio de Nicéia foi muito fecundo para as letras cristãs.

Compõe-se Epístolas como as de Clemente de Roma, de Barnabé de Inácio, a Pasta de Hermes de Policarpo, de Aplogias, como as de Aristides, as de Justino Mártir, as polêmicas, como as de Irineu, de Hipólito, de Tertuliano que também foi Teólogo e Orador, e as obras de cunho científico como as de Clemente de Alexandria, Orígenes, Tc…

De 867 até a divisão da igreja ou primeiro cisma, temos as controvérsias com relação às pessoas da Trindade e muitos outros aspectos como se pode ver em História Eclesiástica.

 

  1. OBRAS ESPECIALMENTE RELIGIOSAS

 

Já é um tanto vasta, especialmente, quando se pode ler as obras em mais de um idioma.

 

  1. LITERATURA NÃO RELIGIOSA

 

Literatura geral, poesia, peças dramáticas, etc.

 

  1. FATOS TIRADOS DA OBSERVAÇÃO DIRETA

 

  • É uma rica fonte (fora da Bíblia), a mais rica.
  • Os mais hábeis pregadores muito se valem dela.
  • Apenas precisamos saber ver, mas ver o que?
  • Sermão em pedras e em tudo.

 

 

 

 

CARACTERÍSTICAS DE UM BOM SERMÃO

 

 

  • Fidelidade ao Texto

 

É simplesmente detestável o hábito de certos pregadores que tomam um ou mais textos para seus sermões e depois se esquecem deles; falam de tudo, vagueiam por diferentes setores do saber humano e nem de leve tocam no assunto apresentado. Tais sermões, além de falhos, são nulos quanto aos fins em vista e ainda constituem numa zombaria à Palavra de Deus e uma desconsideração aos ouvintes. O pregador portanto deve cingir-se aos textos, não fugindo nunca do seu sentido, suas doutrinas em harmonia com o espírito Santo.

O fracasso do Romanismo, do espiritismo e de outros credos pseudo cristãos, está justamente no afastamento dos textos sagrados ou da falsa interpretação dos mesmos. Milhões de pessoas vivem iludidas, desorientadas, infelicitadas devido aos erros que os falsos mestres lhes inculcaram em matéria religiosa.

Todas as ciências, todas as artes, todas as indústrias, tem os seus métodos peculiares. A Metodologia é uma ciência indispensável à instrução progressiva e racional. Nada se faz a esmo ou sem método, sem ciência, sem experimentação. O mesmo acontece com a ciência da pregação. Desprezar o método científico, comprovado, experimentado na pregação da pessoa, de interpretação por idéias simplistas, é zombar da decência do bom senso, da experiência do passado e do presente. Pregadores, sede fiéis aos textos sagrados da palavra do Senhor! Lembrai-vos das maldições para falsificadores da Palavra!

 

 

  • Unidade

 

O sermão é a parte que se compõe de partes e essas partes devem obedecer a um plano, a um esquema, de modo a se constituir em um corpo ajustado e harmonioso, belo e indestrutível. Há sermões que possuem mais colchas de retalhos, miscelâneas, amontoados de idéias e doutrinas. Peca pela falta de plano, de unidade, de beleza. Quando o pregador fala de modo a introduzir na mente dos ouvintes, pelo menos os pontos fundamentais de seus discursos tem conseguido grande parte de seus objetivos.

Entra aqui o conhecimento de Homilética, para a estruturação da peça de modo a haver nas partes, proporções adequadas do material distribuído e o acerto da distribuição por parte do material empregado no sermão.

 

 

 

  • Movimento

 

O sermão deve ser movimentado, como rio, ora suave, manso como favônio (vento manso, brando do poente, vento próspero), melodioso como os acordes de um órgão, ora vibrante como clarinete, trasbordante como a cachoeira, arrebatador como o entrecho de forças em combate.

 

 

  • Unção Evangélica

 

O sermão deve ser piedoso, porque a piedade para tudo é proveitosa no dizer do apóstolo Paulo (I Tm. 4.8). sendo o sermão por sua natureza oração Religiosa, Evangélica e Bíblica, exige a unção espiritual. Sermão sem unção do Espírito Santo, ainda que erudito, eloqüente e perfeito em sua estrutura não converte os pecadores nem conforta os fiéis. Que disseram os discípulos no caminho de Emaús? Era o Senhor que lhes aparecera após a ressurreição.

A palavra ungida é como o sol que derrete o gelo dos corações, é como o martelo que despedaça a pedra da incredulidade, é como luz que espanta as trevas da noite; é o remédio para todos os males. A solução para todos os males e problemas, o poder para vencer todos os inimigos do bem; até os demônios fogem espavoridos.

 

 

 

  • Finalidade

 

O pregador deve levar seus ouvintes para o terreno sério da responsabilidade diante de Deus. (Mulle em seu sermão: “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, fez com que ouvintes se agarrassem aos pilares do templo). Zaqueu quando Jesus entrou em sua casa que fez? Não se compreende pregação sem finalidade.

 

 

 

  • Ponte

 

Todas as coisas tem princípio e fim. A preocupação deve ser:

  • Começar bem e acabar bem.

    Um sermão bem terminado é produtivo. É preferível que os ouvinte fiquem querendo mais, a bocejarem de cansaço ou enjoados. “Não é por muito falar”, mais por falar pouco e bem.

 

 

 

 

 

 

 

MATERIAIS ESPECÍFICOS DO SERMÃO

 

 

 

ARGUMENTOS

 

Nem sempre a prédica deve ser uma declaração dogmática da verdade evangélica. Às vezes, o pregador precisa provar as doutrinas que prega. E a razão disso é que nem todos os ouvintes aceitam as declarações doutrinárias do pregador como verdades já provadas e infalíveis. Daí a necessidade de robustecer a pregação por meio de argumentos lógicos e seguros que não deixam dúvidas.

Há muitas variedades de argumentos. Entretanto, mencionarei somente os que mais freqüentemente são usados no púlpito. São eles:

 

  1. ARGUMENTO APRIORIConsiste este argumento em partir das causas e dos princípios gerais para descer aos efeitos e as conseqüências finais. Dá-se-lhe também o nome de Dedução ou Argumento da Causa para o Efeito, do Geral para o Particular. Conhecendo uma causa, um princípio ou uma lei geral, podemos logicamente inferir ou deduzir os efeitos que ele produz.

Examinemos alguns efeitos deste argumento:

 

  1. “Tudo que o homem semear, isso também ele ceifará.”
  • Causa ou princípio geral: a semente, ou a ação;
  • Efeito ou princípio particular: a ceifa, ou resultado da ação.

 

  1. “Toda alma que pecar, essa morrerá.”
  • Causa ou princípio geral: o pecado;
  • Efeito ou princípio particular: a morte.

 

  1. “No princípio criou Deus o céu e a terra.”
  • Causa ou princípio geral: Deus;
  • Efeito ou princípio particular: terra e o céu.

 

  1. “Todo aquele que crer no Filho, tem a vida eterna.”
  • Causa ou princípio geral: fé em Jesus;
  • Efeito ou princípio particular: vida eterna.

 

“Deus é amor.” Se Deus é amor logo é bom, misericordioso, compassivo, justo, Tc… Ora se Ele tem estes atributos, logo pode amar o homem, se pode amar o homem logo também pode salvá-lo.

 

 

 

 

 

ARGUMENTO A POSTERIORIConsiste este argumento em partir dos Efeitos das conseqüências, ou dos princípios particulares para subir até às causas, princípios ou leis gerais. Chama-se também a este Argumento INDUÇÃO, ou Efeito para a causa, do particular para o geral. Ex.: deste argumento:

 

  1. “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos.”
  • Efeito conseqüência ou princípio particular: os céus, as obras de Deus;
  • Causa ou princípio geral: a glória de Deus, ou Deus mesmo.

 

  1. “Quando vejo os teus céus, obras de teus dedos, a luz e as estrelas que preparastes, que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem, para que o visites? (Sl. 8.34).
  • Efeito conseqüência ou princípio particular: os teus céus, a lua e as estrelas;
  • Causa ou princípio geral: Deus.

 

  1. “Porquanto o que de Deus se pode conhecer, nele se manifesta, porque Deus lhe manifestou. Porque as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu poder eterno, como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas”… (Rm. 1.20).
  • Efeito conseqüência ou princípio particular: as coisas criadas;
  • Causa ou princípio geral: Deus, as coisas invisíveis, o seu eterno poder, a sua divindade.

 

 

 

ARGUMENTO ANALÓGICO – Analogia significa primariamente proporção. Consequentemente, analogia não significa semelhança real entre as coisas encomparadas, mas semelhanças ou correspondência proporcional entre as relações dos objetos comparados. Vejam alguns exemplos de argumento analógico:

 

  1. Jesus é a cabeça da Igreja. Tiago era uma coluna da Igreja Primitiva. A Igreja é o corpo de Jesus, o crente é o templo de Deus.

 

  1. “O campo é o mundo.” A semente é a palavra de Deus. (Lc 8.1). “O reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar… (Mt. 13.5). “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo” (Mt. 3.44). “Eu sou a porta dos céus” (Jo. 10.9). “Eu sou o caminho a verdade e a vida” (Jo. 14.6). “Isto é o meu corpo que é partido por vós…” (Lc. 22.19).

 

 

 

 

 

 

DILEMAEste argumento consiste em silogismo duplo contendo uma única conclusão. O adversário é colocado entre duas alternativas, mas para qualquer que se INCLUIR enfrentará a mesma conclusão.

Tal foi o argumento que Gamaliel lançou mão para evitar que os apóstolos fossem perseguidos pelo Sinédrio.

 

  1. “Daí de mão a estes homens, se desfará, mas, se é de Deus, não poderes desfá-la para que não aconteça serdes achados também combatendo contra Deus. (At. 5.38-39).

 

  1. Dilema é também o que Jesus propôs aos fariseus quando estes lhes perguntaram com que autoridade curava e ensinava, visto que o Sinédrio não lhe autorizava. Foi assim que Jesus respondeu: “Eu também vos digo…” (Mt. 21.23-26).

 

No começo deste curso, demos uma definição do que é a Homilética. Esta por sua vez abrange tudo o que tem a ver com a preparação e apresentação de prática religiosas. Falamos de Homilética no seu contexto técnico, agora estaremos analisando a variedade de

sermões; classificação do sermão confecção; postura; gesticulações; etc.

 

 

 

VARIEDADE DE SERMÕES

Os autores da Homilética tem dedicado muito tempo nesta área, ou seja, na preparação de sermões. Um pregador pode produzir sermões doutrinários, evangelísticos, exortativos, avivalísticos, devocionais, inspiracionais, de núpcias, natalícios, fúnebres, cívicos, etc. Mas a rigor, só há um tipo de sermão: O DOUTRINÁRIO, que é dirigido especialmente para crentes, pois todo sermão tem o propósito de doutrinar. Porém, como numa platéia temos normalmente 2 tipos de ouvintes: CRENTE E NÃO CRENTE, em circunstâncias e situações diferentes, os sermões podem então ser divididos em:

 

  1. DOUTRINAL OU DOUTRINÁRIO. É quando enfoca doutrina e é dirigido à crentes, visando exclusivamente o ensino da palavra de Deus, a fim de que seja conhecida aceita e obedecida. O SERMÃO DOUTRINÁRIO visa redimir os conhecimentos e a fé dos crentes. Visa assumir o tom de exortação, de conforto, para aconselhar, advertir e corrigir.

 

  1. EVANGELIZANTE OU EVANGELÍSTICO.

    É quando enfoca doutrina e é dirigido a não crente, visando sua conversão a Cristo. Qualquer sermão se torna evangelístico quando resulta em Salvação.

 

 

 

Assim, os chamados sermões nupciais, natalinos, fúnebres, etc., podem ser tanto doutrinários como evangelísticos dependendo apenas da aplicação do pregador, ou seja, se o objetivo é levar à conversão ou apenas doutrinar a Igreja, ou os dois: Doutrinar e converter.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DE SERMÃO

 

Existem 3 principais em uso:

 

  • Sermão Temático ou Tópico;
  • Sermão Temático Textual;
  • Sermão expositivo.

 

 

  1. SERMÃO TEMÁTICO OU TÓPICO. É aquele que deriva, inicia a partir do TEMA. O sermão todo depende do TEMA, e todo o sermão recebe no texto a sua idéia central. Logicamente TEMA e TEXTO devem estar relacionados em uma forma bem definida. O TEMA deverá ser uma verdadeira representação do TEXTO.

    Este tipo de sermão é o mais comum entre os pregadores por alguns motivos:

     

  • O sermão temático não fica preso ao que está escrito;
  • Brinda o pregador com a liberdade do desenrolar do sermão, e em uma pregação, a liberdade de expressão é ponto culminante;
  • Tem a tendência de abordar assuntos atuais e imediatos.

 

Porém, como nem tudo é céu, ele também possui seus perigos; e todo pregador que optar por este tipo de sermão deverá tomar cuidado para não cair nestas armadilhas.

  • Obscurece a palavra escrita (Bíblia), ou seja, aquilo que a palavra de Deus diz. Não é destacado, apenas os pensamentos do pregador possuem evidência.

 

  • Pode não haver muita variedade de temas. E isto leva o pregador a repetir sermões e repetidos sermões cai-se na mesmice havendo portanto desinteresse geral.

 

 

  • Pode acontecer de não haver unidade, ligação entre TEMA X TEXTO X ESPOSIÇÃO (DIVISÕES) Em outras palavras, corre-se o perigo do pregador falar de um assunto ou tema, o texto lido falar sobre outra coisa, e na exposição o tema proposto ficar na pregação ou quando isto acontece, é porque o pregador está completamente perdido na pregação ou não se preparou como deveria. É muito comum vermos este tipo de acidente, principalmente entre aqueles que acham que não há necessidade de preparo porque o Espírito falará. Geralmente este tipo de pregador começa o seu sermão falando tomates e termina em abobrinhas, fazendo assim uma verdadeira salada. CUIDADO!

 

 

 

  1. SERMÃO TEXTUAL

Este sermão procede de um texto,. Deve-se Ter um texto. Um Tema e Divisões. Um sermão TEXTUAL é aquele que tanto o Tema como as divisões são a partir do TEXTO.

Alguns pregadores acham que o sermão Textual deveria Ter um certo limite

De versículos para ser Textual, pois, afirmam que se o texto lido for muito

Extenso, este estará comprometido a ser Expositivo.

Sermão textual temas va tagens do sermão Temático e ainda os benefícios de contar com os pensamentos futuros, sem necessariamente usar as palavras e colocações do sermão anterior. Sendo assim, não haverá o risco de sermão repetitivo.

 

 

 

  1. SERMÃO EXPOSITIVO

 

Para muita gente este é um sermão por excelência. Ouve-se com freqüência

Declarações que todos os sermões deveriam ser expositivos, ou seja, explicações e aplicações das Escrituras. Há certa confusão com este assunto devido que muitas vezes se descuida da clara definição dos termos que se usam. Todo sermão expositivo se com ele você que significar qualquer classe de explicações de uma parte da escrita, trata-se de uma só palavra, de uma oração, um parágrafo, um capítulo ou todo um livro. Porém, no sentido técnico de Homilética, este termo EXPOSITIVO tem um significado muito mais delimitado. Sermão Espositivo é características próprias. Talvez a definição mais simples poderia ser: “Sermão Expositivo é o tratamento Textual de uma passagem Bíblica Extensa”.

O sermão Temático deriva de um Tema com unidade à um Texto. O sermão Textual deriva de um texto com unidade em suas Divisões. Já o Expositivo recebe tanto o Texto como as divisões e ainda um vasto material de sustento da unidade a ser considerada.

 

 

 

Os sermões expositivos são sem dúvida os mais difíceis de se preparar. Todas as perícias são necessárias para prepará-lo.

Ele tem que estar totalmente atado à porção em consideração e isto cria dificuldades de aumentar o tamanho da unidade. Normalmente deve-se haver habilidade de encontrar e concertar a unidade e a habilidade de se usar somente o material já previamente selecionado.

Muitos fracassos acontecem com pregadores deste sermão, porque as falhas estão no fator seletivo do texto. Quando se pode usar um número ilimitado de textos, cria-se também um acumulo grande de detalhes irrelevantes e desorientados. É claro que isto só acontecerá se o pregador não estiver seguro naquilo que irá expor ao público.

Este tipo de sermão em si traz alguns benefícios:

 

  • Apresenta um maior conhecimento da Bíblia, tanto pelo pregador como também dos ouvintes
  • Provê uma grande variedade de idéias;
  • Provê a liberdade de falar sobre assuntos normalmente evitados e ignorados à luz das Escrituras.
  • Redime e reduz a tentação de distorção das escrituras (isto para pregadores que sempre querem provar que suas idéias são Bíblicas).

     

     

     

    PARTES FUNDAMENTAIS DE UM SERMÃO

 

O primeiro passo para a preparação de um sermão deverá ser o estudo cuidadoso da passagem Bíblica. O Segundo passo deverá ser:

 

  1. Qual o pensamento central do sermão, ou o que “Eu” pretendo com o meu sermão?

Mesmo quando se deseja fazer uma análise de texto, é “bom”, é aconselhável que se faça a escolha de um pensamento para que o pregador não se perca, e este pensamento deverá ser seguido até o fim.

 

 

  1. INTRODUÇÃO

 

A introdução deverá estar intimamente relacionada com o pensamento central do sermão. Deverá ser encontrada uma maneira que ajude o ouvinte a entrar na trilha do sermão e se interesse em seguí-lo até o fim. Em outras palavras, é na introdução que você vai Ter o público na Mão. Depois partiremos para as divisões do sermão.

 

 

 

 

 

  1. DIVISÕES

 

O texto poderá Ter quantas divisões o pregador quiser, porém, quanto mais divisões, mais facilidade o pregador terá para se perder e para fazer o ouvinte perder-se. Recomenda-se neste caso que o sermão tenha 2 ou 3 divisões, por exemplo, vamos pegar um texto: Gl. 2.20.

 

  1. DIVISÃO ABORDANDO POUCOS PONTOS (2 ou 3).
  1. TRANSFORMAÇÃO: “não era, mas agora sou crucificado com Cristo…”
  2. JUSTIFICAÇÃO: “não era mais agora sou “… porque Ele me amou e se entregou a si mesmo por mim…”
  3. COMPROMISSO: Não tinha, mas agora tenho “… e a vida que agora vivo, vivo-a (e sempre viverei), na fé no Filho de Deus.”

 

 

  1. DIVISÕES COM VÁRIOS PONTOS
  1. Crucificado com quem?
  2. Antes não era?
  3. Se não sou eu quem vivo, quem é então?
  4. que ele é viver na fé do Filho de Deus?
  5. Por que ele me amou a ponto de se entregar?
  6. Ele só se entregou por mim? E os outros?

 

 

Quanto mais divisões houver, mais desordenada ficará a explanação do sermão e muito mais confuso, a não ser que o pregador tenha muita técnica e muita facilidade em expor suas divisões, mas é difícil para o ouvinte guardar várias divisões, em sua mente e colocá-las todas em prática em sua vida, ou lembrar-se de todas nos dias que se seguirão.

As divisões devem possuir ordem e lógica.

 

 

 

 

  1. CONCLUSÃO

 

A conclusão deverá ser o ponto alto do pensamento principal. Ela deverá ser um micro resumo do sermão e principalmente deverá sempre levar a uma tomada de posição (decisão e compromisso), da parte de quem ouve.

 

 

 

 

 

 

 

 

ILUSTRAÇÕES DE SEMÕES

 

Ilustrar é iluminar. É fazer com que a luz se enfoque no lugar onde precisamos ver melhor. É como que querendo ver algo num quarto escuro, abre uma janela ou acende a luz. Na imprensa popular, a ilustração muitas vezes é substituída por uma foto introduzida no texto, e esta ilustração tem a finalidade de mostrar ao leitor, a realidade, ou a idéias central do escritor.

Ilustrar também é fazer com que o pregador respire um pouco, ou seja, que ele pense um pouco no que ele já pregou, no que irá pregar; se precisa mudar de estratégia para atrair o público, para que ele se solte um pouco, como diz popularmente “um tempo para soltar a gravata e relaxar”, isto é, se ele estiver convicto de si mesmo, como segurança, e se a ilustração for apropriada para aquele momento do sermão.

Ilustrar também é dar um tempo para o povo relaxar, folgar nas cadeiras, principalmente se o assunto abordado no sermão for muito difícil de ser entendido e estiver exigindo muita atenção dos ouvintes.

 

Podemos dizer que existem 5 tipos de ILUSTRAÇÕES:

 

  1. CONCEITUAL – Quando se cita o pensamento e opinião de outra pessoa. Ex.: Disse Jesus: “vai, a tua fé te salvou”. (Mt. 10.52). Disse Dom Pedro I às margens do Ipiranga: “Independência ou morte”.

 

  1. TÉCNICA – Quando se explica um princípio científico, um processo técnico-industrial, etc., um costume, uma situação Geográfica, climática.
  2. Ex.: “A lei da gravidade; como era feito o pão asmo; o óleo da unção; como era o casamento; como era o clima da palestina; etc.

 

  1. ESTÓRICA – Quando se conta uma lenda, uma fábula, uma parábola ou uma anedota, desde que esta seja imaginária.

 

  1. HISTÓRIA – Quando se narra um fato passado, registrado pela imprensa, (revistas, jornais, livros), transmitido pelo rádio ou televisão, ou ouvido de testemunhas.

 

  1. PESSOAL – Quando se testemunha fatos, e estes são relatados pelo pregador que foi a testemunha, ou fatos em que foi a ator principal da ilustração. Quando a ilustração for pessoal, devem ser seguido alguns pessoal muito importantes:

     

  1. Diga sempre a verdade: analise o fato, mas a narração deverá ser fiel ao acontecimento;

     

     

  2. Certifique-se bem dos fatos: quando estes envolverem outras pessoa, pois estas poderão Ter outras versões dos fatos;

     

  3. Fuja da auto-exaltação: evite destacar-se afinal, quem deve ser adorado no sermão não é você;

     

  4. Evite a declaração: ou seja, não delate ninguém, fatos confidenciais não podem se usados de púlpito, pois, isto pode constranger os envolvidos. Às vezes você não pode identificar o nome, mas o caso é tão evidente que todos descobrirão.

 

 

 

É claro que as ilustrações, se bem usadas, trazem algumas vantagens ao sermão. Ela quebra a monotonia, revigora a atenção, diminui a tensão do ouvinte, descontrai, desperta o interesse, marca o sermão, enriquece o ouvinte, valoriza o pregador, convence e emociona.

Mas como tudo tem o seu lado perigoso, a ilustração também não poderia ficar de fora. Ela pode ser uma benção ou uma maldição. Portanto, existem alguns cuidados a serem tomados:

 

ADEQUAÇÃO – Cada ilustração tem que Ter uma relação direta com o fato que se quer ilustrar. A ilustração é um “gancho” para clarear melhor um assunto abordado naquele momento. A ilustração funciona como um pingente do assunto, e um pingente, não se segura sem gancho. A ilustração também, se não for um bom gancho não será uma Bênção, mas um terrível desastre e com certeza estragará todo sermão.

 

OBJETIVIDADE – Evite detalhes que não estão diretamente ligados ao texto, pois, estes poderão retratar outras verdades que não interessam, e que com certeza ofuscarão ou desviarão os ouvintes do gancho.

 

HONESTIDADE – Evite citar conceitos vagos, “por alto” sem corresponder ao exato pensamento do autor. Evite “passar” como verdade, fatos duvidosos, cujas fontes são indeterminadas.

 

SERIEDADE – Evite ilustrar verdades sérias com anedotas. As ilustrações aparecerão no nosso dia-a-dia, mas caso haja necessidade de uma para esclarecer um fato no seu sermão, você poderá recorrer a livros de ilustrações (alguns são muito bons, outros não valem nada).

 

A própria Bíblia é uma fonte inesgotável de ilustrações. É por meio da literatura que ampliamos nosso conhecimento e nosso vocabulário. Nada ilustra a vida melhor do que a vida mesmo. Por ela vem grandes riquezas para nossos sermões.

 

 

 

 

A PERSONALIDADE DO PREGADOR

 

Há sete (07) fatores que o pregador tem em sua personalidade que precisam ser analizados, pois, eles serão fundamentais para o sucesso de uma pregação/estudo.

 

  1. PERFIL ESPIRITUALO pregador tem que ser um homem de fé. Ele vai pregar e ensinar a fé. Fé na existência de Deus, no interesse de Deus pelo homem, na relação do homem com Deus, fé na oração, fé, fé, fé, fé,… e o ponto fundamental desta fé será a fé na ressurreição de Cristo, na morte de Cristo, na vida eterna, na volta de Cristo, no Espíirito Santo, no juízo. Em outras palavras, fé em tudo que envolve Deus. A vida espiritual é uma vida permeada pela fé. Como pode um pregador falar de vida espiritual se ele não há tem? Chega-se ao ponto de dizer que se você não é um homem ou uma mulher de fé, nem suba para pregar, porque pois mais bela que seja a tua mensagem, ela na convencerá.

 

  1. PERFIL MORAL - A fé cristã não é apenas uma crença, ou uma aceitação mental, mas acima de tudo uma transformação de vida. O pregador deverá ser o exemplo de uma nova vida. O ditado popular “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”, jamais poderá ser usado como referencial pelo pregador, mas com autoridade ele deverá dizer: “faça o que eu faço, porque eu faço o que Cristo manda”. Jamais pregue o que você não consegue vivier. Lembre-se que a vida sempre fala mais alto. Pregue à si mesmo, ante de pregar a outros.

 

  1. PERFIL INTELECTUAL – A pessoa que abraça a carreira de pregador deverá estar consciente que escolheu uma função intelectual. Ele irá trabalhar mais com o cérebro do que com as mãos, isto para quem escolheu a função de pregador. Para quem pregará esporadicamente, de vez em quando, não é o caso. Por isto requer que o pregador seja inteligente, amante de livros, crisativo, culto e cheio de vontade. Também, jamais se esquecendo de ser uma pessoa sempre atualizada com os assuntos atuais, sendo quais forem (esportes, religião, política, social, etc.

 

  1. PERFIL PSICOLÓGICO - O pregador tem que ser uma pessoa equilibrada mental e emocionalmente. E através de suas palavras ele revelará este equilíbrio. As palavras não são portadoras apenas de idéias, mas de emoções, temperamento, motivação, etc.

Há pregadores que transmitem mais de sua personalidade quando pregam, do que propriamente idéias, portanto, em muitos casos, o púlpito se torna num divã de psicanalista, mas aos pregadores, muito cuidado: o púlpito pode oferecer uma fonte de orientação sadia (se o pregador equilibradoe ponderado em sua personalidade), como poderá ser uma fonte de ensinamentos vazios e sem vida (quando o pregador falar de si mesmo, e os seus ensinamentos não revelarem algo consistente e convicente).

 

 

 

  1. PERFIL FÍSICO – O púlpito não é uma passarela onde só desfilam os mais bonitos e mais cultos, além de elegantes e ricos. O pregador deverá ter um porte atraente, não em beleza física, mas em postura diante da platéia.

Para o ouvinte, e principalmente para Deus, o pregador não se destacará por ser alto ou baixo, gordo ou magro, feio ou bonito, negro ou branco, mas sim pela forma com que se impõe ao auditório, assim sendo, não recomendamos ao pregador, mascar chicletes, balançar mãos desnecessariamente, cruzar os braços, coçar o nariz, cutucar a orelha, limpar os dentes, etc.

 

  1. PERFIL SONORO – A voz como veículo de pregação é essencial para o sucesso do pregador, para isso, dosi elementos são necessários:
  2. TIMBRE – É a qualidade distintiva do som, que se apresenta sempre na mesma altura e intensidade. O timbre ideal para pregação é médio, isto é, nem agudo, nem grave, nem rouco, nem nasal (fanhoso).
  3. DICÇÃO – É a emissão correta dos sons da voz. A dicção exige a pronúncia correta da palavra, firmeza e clareza. A pessoa “gaga” terá sérios problemas para ser um pregador de sucesso.

 

  1. PREFIL SOCIAL – Ninguém gosta de passar vexame em púplico, por isso o medo que muitos tem de falar em público. Este medo pode ser chamado de timidez ou inibição. Sua causa fundamental é a inseguranção, insegurança emocional decorrente de sua falta de experiência em se relacionar com o auditório, insegurança intelectual decorrente da falta de cultura, de conhecimento. O pregador tem que dominar a matéria que vai expor, é tão importante como dominar a matéria é dominar o emocional.

 

Para estes pregadores, daremos algumas dicas de como ter sucesso em suas exposições, pregações:

  • Orar muito – Tanto pedindo paz, tranquilidade, como pedindo sabedoria, revelação do Espírito pedindo esclarecimento do sermão.
  • Analisar a grandeza de sua posição – ou seja, você está tendo o privilégio de estar ali naquele momento, Deus quis assim, e isto deverá motivá-lo a se sentir superior.
  • Aproveitar todas as oportunidades – É natural que o medo leve todas as pessoas à fuga. Fugir do problema não é a solução, apenas tente ignorá-lo. Os problemas fogem quando nós o encaramos de frente.

 

No caso do tímido, falar em público, é desafiar o problema e dizer: Eu não tenho medo de você porque eu sou mais forte.

É só pregando que ficaremos aptos para a tarefa.

‘pregador, domine bem a matéria sobre a qual vai pregar (conhecimento intelectual) domine bem mesmo. Não seja um pregador estúpido que sempre prega o que vier na cabeça (na hora), e ainda dizer que faz assim porque o Espírito Santo sabe a necessidade da igreja, e é melhor deixar o Espírito falar como ele quiser.

 

 

 

Domine bem as emoções (conhecimento psicológico), observe o seu corpo, suas pernas, sua voz, etc. daí para frente deixe o Espírito Santo falar, porque na verdade, todo sermão deveria ter dois atores: o figurante, que é o pregador, e o protagonista da história que é o Espírito Santo.

 

É muito comum encntrarmos pessoas dizendo que não é necessário interpretar a Bíblia, mas apenas seguir o que ela diz. Isto em parte é verdade e em parte não é. É claro que existem versículos que não requerem interpretação, mas tão somente o desejo de seguir o que está escrito, como por exemplo: Fl. 2.14 “Fazei tudo sem murmurações e sem contenda…”. Mas eu não posso me apegar a uma afirmação tão simplista e achar que toda a Bíblia é assim. Existem passagens que somente com um estudo mais detalhado chegaremos à sua compreensão clara. Neste caso, correremos o risco de encaixar nossa Bíblia em nossas vidas e o correto é obviamente o inverso, nós é que temos de encaixar nossas vidas à luz das verdades Bíblicas.

 

Quero deixar algo bem claro, ante de passarmos para a parte seguinte: procurar texto para pregar não é fechar os olhos e onde cair eu leio, ou é resposta de Deus para minha pregação ou meu problema. Este pode ser um processo perigoso. É bom manter uma leitura sistemática e interpretações corretas.

 

 

 

TEXTO & CONTEXTO

 

 

 

TEXTO – é o versículo que você está estudando.

CONTEXTO – é o que passa ANTES e DEPOIS do texto. Ex.: em Jo. 10.11 Jesus disse: “Eu sou o bom pastor.” O texto é Jo. 10.11, mas o contexto começa no versículo 1 e vai até o versículo 18. Este é o contexto imediato (ou próximo). Mas também existe o contexto geral (remoto) que é o ensino Geral da Bíblia sobre um determinado assunto. É necessário que entendamos isto, pois afinal de contas, cada versículo da Bíblia faz parte de um todo, ou em outras palavras, de um texto maior (contexto). Texto e Contexto não podem se contradizer. Podemos tirar lições de versículos isolados da Bíblia, mas estas não podem tirar lições do contexto. Ex.: Mt. 12.5 “… ou não tendes lido na lei que aos sábados os sarcedotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?”. Se ficarmos apenas com este versículo teremos a falsa ilusão de que devemos guardar um dia santificando. Mas, considerando textos que são os contextos próximos, Mt. 12.1-8, veremos que Jesus estava ensinando que não há dia nem hora para se fazer o bem. Salmo 14 diz: “… não há Deus… pois o povo tem se corrompido…” Porém, se formos analisar todo o contexto deste texto, perseberemso que há um Deus, e é o néscio quem diz que não há, o incrédulo que diz que não há.

 

 

 

 

CONTEXTO BÍBLICO E CONTEXTO HISTÓRICO

 

Quanto ao contexto, temos que levar em conta:

  1. CONTEXTO BÍBLICO: É o ensinamento do parágrafo, do capítulo, do livro estudado e da Bíblia toda.

 

  1. CONTEXTO HISTÓRICO: Temos que levar em conta a época que o autor escreveu. Se não fizermos assim, poderemos chegar à conclusões errôneas. Por exemplo: “A poligamia (vários casamentos), ato este praticado pelos patriarcas, não justificado à luz do Novo Testamento. Jacó teve duas esposas e várias concubinas, porém, naquela época a situação e o contexto histórico era outro. É incoveniente aplicarmos textos como Gn. 16.1-6; 19.30-38; Rt. 3 e 4 em nossos dias. Os livros proféticos ‘so poderão ser entendidos à luz dos acontecimentos daquela época, e depois passá-los para os nossos dias e tirarmos lições para nós. No Novo Testamento há passagens que só entenderemos se conhecermos os costumes do primeiro século do cristianismo, por exemplo: “a questão do véu, do cabelo, da mulher não falar em público, costumes estes do primeiro século e que Paulo aborda no seu livros de I Corítios.

 

Fica claro portanto que, para entendermos um texto, é necessário observá-lo com atenção, examiná-lo com cuidado, tanto no seu todo (contexto), quanto na sua particularidade (texto-versículo).

 

Quando examino um texto Bíblico, estou preocupado primeiro em considerar o seu todo, ou seja, o que na verdade ele quer dizer e não aquilo que quero que ele diga. Quando tentamos descobrir um ensinamento geral de um texto, estamos preocupados com o seu contexto.

 

Para examinar no seu todo, ou em partes, você deverá ler cuidadosamente e várias vezes o texto escolhido. Além de escrever observações feitas e colocando ao lado destas o versículo onde encontrou a dúvida.

 

Por tudo que está acima, você percebe que deverá:

  1. Deixar a preguiça de lado;
  2. Ter Bíblia e caneta na mão;
  3. Ter persistência, vontade, perspicácia.

 

Observar um texto é praticamente copiá-lo novamente. A diferença é que é uma copia inteligente, onde você descobrirá verdades, ensinamentos e aprenderá separar assuntos podendo assim estudá-los sem confusão.

 

 

 

 

Existem 5 perguntas que ajudam na boa observação:

  1. QUEM – Quando perguntamos quem, descobrimos o nome da pessoa, que o texto fala.
  2. QUANDO – Quando perguntamos quando, estaremos nos preocupando com a época do acontecimento e logicamente tomaremos conhecimento da realidade da época em que foi escrito.
  3. ONDE – Quando perguntamos onde, descobriremos os lugares onde estavam os crentes, o autor, lugares, etc.
  4. POR QUE? – Quando perguntamos por que, descobrimos o motivo, a causa do que acontece.
  5. COMO – Quando perguntamos como, de que modo, estaremos descobrindo os caminhos que tomaram os acontecimentos até a sua conclusão.

 

 

APLICAÇÃO PRÁTICA DOS SERMÃO (EM DATAS ESPECIAIS)

 

  • Sermão de casamento (abordar futuro, cuidados, cumplicidade, etc.)
  • Sermão de morte (abordar conforto, segurança, providência, etc.)
  • Sermão de aniversário (abordar alegria, doação de Deus, etc.)

 

“… é importante que todo sermão, tenha uma veia “evangelística“.

 

 

 

ORATÓRIA E GESTICULAÇÃO

 

 

  1. VÓZ, OLHOS, ROSTO DO PREGADOR

 

  1. Vóz alta, baixa: (vai depender do momento);

Vóz mutável: (um pregador não deverá pregar no mesmo tom);

Vóz lenta, corrida: (engolir palavras, não terminar freses).

 

  1. Olhos baixos, dispersos: (prejudica a credibilidade do pregador);

Olhos lendo: (evitar fazer isto “o tempo todo”);

Olho no olho: (este seria o mais corretos, porém o pregador não poderá olhar só

para um.

Olho livre: (óculos não pode tapar, franja de cabelo, etc.).

 

  1. Rosto do pregador: (evitar caretas, mexer exageradamente sombracelhas, morder ou lamber a boca, lingua para fora. O correto é sorrir ou estar sério conforme o momento, com exceção defeitos físicos.

 

 

 

 

 

  1. POSICIONAMENTO FÍSICO E ESTÉTICO

 

 

  1. Corpo: evitar corpo deitado ou cabeça inclinada.
  2. Braços: evitar acima da cabeça, evitar movimentos drásticos/rudes. Não apontar pessoas, mão no bolso corretamente. Os movimentos dos braços deverão desenhar, expressar exatamente o que o pregador estará dizendo no exato momento em que diz.
  3. Penas: abertas ou fechadas, como estar fora de estética, pés levantados, tremulando, etc.
  4. Sentado: como sentar corretamente.
  5. Roupas: discretas, cores discretas e combinando “se possível”.

 

 

 

  1. TIQUES (CACOETES, TREJEITOS)

 

  1. Coçar a cabeça, arrumar cabelo, acertar óculos, virar a cabeça, coçar a orelha, coçar o nariz, coçar qualquer outra parte do corpo, limpar dentes ou gengivas com a lígua, etc. “… veja bem: isto não deverá ser feito em exagero, fora de controle”.
  2. Não avise que não está preparado…

    Não avise que não é pregador.

    Não avise antes que vai tossir, espirrar, soar o nariz, etc.

  3. Não cuspa, não escarre, não limpe o nariz com a mão, não mascar chicletes, não chupar balas, não fale com palitos de dentes ou fio dental na boca, etc.

 

 

  1. EVITAR SE POSSÍVEL

 

  1. Dentes podres, cores chamativas, cabelos despenteados, barba por fazer, etc.
  2. Erros gritantes de português como: “Nóis somo, agente temo, etc.
  3. Nunca diga: “A Bíblia Diz” se você não tem certeza. (as vezes é ditado popular e nem você sabia).
  4. Nunca diga: “Ninguém aqui faz nada…

Ninguém aqui é fiel…

Ninguém nesta igreja é fiel nos dízimos…

Todos nós somos do Senhor…

Vocês estão roubando o Senhor…

 

“… as pessoas que alí estarão e que fazem, que contribuem ou são fiés, poderão se ofender”. Generalizações não fazem bem no sermão”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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A antiga vida e a nova vida

A antiga vida e a nova vida

Romanos 6

2 De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?

3 Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus
fomos batizados na sua morte?
4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do pecado.

8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,
9 sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. 10 Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; 13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:2-13 RA)

 

Introdução

Quero começar a reflexão desta noite destacando a pergunta que o Apostolo Paulo faz: “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?”

Um filho verdadeiro de Deus não pode mais viver sob o domínio do pecado. Não. Pois fomos libertos do pecado.

E isto que Jesus declarou: “…conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Se temos a libertação prometida na palavra, então temos o direito de ter uma vida de vitória sobre as influencias negativas do pecado. É por isso que somos confrontados pelas palavras do apostolo Paulo no início do capitulo 6. Aqui, Paulo nos pergunta acerca de como um crente pode viver praticando o pecado se ele já tem vitória prometida pela palavra de Deus?

Nós temos a garantia de libertação do pecado pela palavra

O conhecimento da palavra de Deus nos traz renovação.

Ilustração. Lembro-me da história de que certa vez o faxineiro de um museu de arte encontrou, num quarto de despejo, um velho quadro todo estragado, sujo, a pintura irreconhecível. O empregado ia levando o quadro com moldura e tudo para o lixo, quando o fato chegou ao conhecimento do diretor do museu, que quis ver a pintura. Realmente, o quadro parecia imprestável, mas o museu chamou um famoso restaurador de pinturas antigas para refazer o trabalho. Removida a sujeira, corrigidas as ranhuras, o quadro se iluminou e deixou antever os vestígios de uma obra-prima.

MORAL. O restaurador trabalhou com perseverança e conseguiu restaurar a obra de tal maneira que muitos perguntavam se aquele seria o mesmo quadro. Quando viram, porém, a assinatura do autor da paisagem, restaurada com todos os detalhes, puderam compreender tudo. O restaurador era filho do próprio artista. Ele não fez apenas um trabalho profissional. O seu amor de filho o inspirou a descobrir e restaurar a criação do pai.

A bíblia diz que “…o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Luc. 19:10). Jesus veio ao mundo, trazido pelo amor do Pai, a fim de restaurar a criação de Deus e restituir-lhe a beleza e o brilho prejudicados pelo abandono causado pelo pecado. E esta obra Ele realiza em nós, pela sua palavra revelada que invade e transforma a nossa vida e nossa forma de agir e pensar.

Além de termos a garantia de libertação do pecado pela palavra, Paulo nos ensina em romanos 6 que estamos mortos para ele.

Comecemos aqui revendo a pergunta que nos faz Paulo: Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? É preciso que entendamos o que significar estar morto para o pecado. Estamos mortos para o pecado no sentido de que ele não terá mais domínio sobre nós.

Os versos 11 a 13 deste capítulo reafirmam o que estamos dizendo: “11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. 12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; 13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade;…”.

Paulo nos ordena que não deixemos o pecado reinar em nosso corpo mortal. Entenda algo importante: O reino do pecado sobre nós será destronado quando realmente deixarmos o reino de Deus nos governar. Foi isso que Jesus nos ensinou a pedir na oração modelo: venha sobre nós o teu reino.

Na medida em que o reino de Deus se fortalece em nós a força do pecado se enfraquece.

Mas como fortalecemos a presença do reino de Deus em nós?

  • Confessando. Senhor venha sobre mim o teu reino, faça-se a tua vontade.
  • Negando o eu. Paulo nos ensina isso em Gálatas 2:20: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”
  • Exercitando o testemunho cristão.16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. 17 Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gálatas 5:16-17 RA)
  • Combatendo os frutos da carne. 19 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, 20 idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, 21 invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” (Gálatas 5:19-21 RA).

Estamos mortos para o pecado porque o nosso velho homem morreu, e agora somos novas criaturas em Cristo. E nessa condição experimentemos em plenitude a presença gloriosa do Senhor que nos vitória e nos habilita a vencermos o mal.

Na nova vida com Cristo temos participação simbólica na morte e na ressurreição de Cristo.

Vejamos o que Paulo nos revela:

5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do pecado.

Estamos hoje participando da celebração da santa ceia. Na santa ceia celebramos a morte e a ressurreição de Cristo.

Celebramos a morte de Cristo, porque ela concretizou o plano de Pai. Isaías 53:7 fala sobre o objetivo de sua morte: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.”

Participamos da morte de Cristo no sentido de que o velho homem também morreu. A morte de Cristo deu a mim e a você domínio sobre a natureza do pecado.

Mas também celebramos a ressurreição de Cristo, porque ela revela ao homem a onipotência de Deus sobre a morte. Deus tem poder sobre a morte, e Jesus é a testemunha viva disso. Por mais de 2000 anos, a crença na ressurreição de Cristo permanece viva em nossos corações. A ressurreição de Cristo nos dá a esperança de também iremos um dia ressuscitar. E nesse sentido participamos da sua ressurreição, porque assim como Ele venceu a morte, nos também a venceremos na ressurreição.

Portanto anime-se

Se Ele foi capaz de vencer a própria morte em sua ressurreição, então Ele pode vencer qualquer obstáculo. Creia em Jesus porque Ele tem nos sustentado, e estará conosco todos os dias ampliando em nossos corações o seu reino. Façamos a sua vontade, porque é nela que encontraremos realização plena.

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Ana: Uma mulher que experimentou o agir milagroso de Deus em sua vida.

Ana: Uma mulher que experimentou

o agir milagroso de Deus em sua vida.

10 levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente. 11 E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.” (1 Samuel 1:10-11 RA)

Introdução

Ao ler sobre a vida de Ana, compreendemos que Deus realmente tem controle absoluto sobre nossas vidas. A história de Ana nos mostra que Deus tem o poder de converter as situações difíceis das nossas vidas em grandes lições de aprendizado e crescimento.

Ana vivencia em sua familiar uma situação crítica, pois não podia ter filhos. No mundo antigo, os homens sentiam-se pressionados a terem filhos, pois os filhos eram parte importante na estrutura econômica de uma família. Eles eram fonte de ajuda no trabalho, e era responsabilidade deles cuidar dos pais quando chegavam a velhice. Possuir vários filhos era símbolo de Status e riqueza, pois nas sociedades antigas muitos jovens eram mortos em batalhas, e por esse motivo as famílias procuravam ter muitos filhos para que a descendência familiar ficasse garantida.

Quando uma mulher não podia ter filhos, a esposa era obrigada, segundo os costumes do Antigo Oriente Médio, a dar uma de suas serviçais a seu marido para que este gerasse filhos por meio dela. Quando uma mulher não podia ter filhos, a lei daquela cultura dava ao marido o direito de se separar de sua mulher se assim o quisesse.

Mas, observamos que Elcana, marido de Ana, a amava e permaneceu amorosamente ao seu lado apesar das pressões contrarias da sociedade e de seu direito garantido pela lei civil de se separar de Ana.

Vemos no verso 8, que Elcana demonstrava claramente o seu sentimento de amor por Ana ao perguntar:
“…Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?” Naquela ocasião, Ana encontrava-se triste com as provocações de Peniva, que era sua rival naquela família, e fazia uso da impossibilidade de Ana em engravidar, para provoca-la e humilhá-la.

Ana vivia numa família dividida

Por não ter filhos, Ana era vítima das provocações de Penina. Penina, era a segunda esposa de Elcana. Elcana tinha uma segunda esposa, provavelmente por causa da sua preocupação em ter descendentes. E naquela cultura um homem podia ter mais de uma mulher caso sua esposa não pudesse lhe dar filhos. Observamos porem, nesse contexto, que a prática da poligamia nunca trouxe bênçãos de Deus, e a prova disso, é que, na família de Ana não havia paz.

Ana sofria com esta situação, pois Penina irritava a Ana excessivamente, com o objetivo de lhe causar prejuízos maiores.

Conforme o verso 15, Ana era uma mulher “….atribulada de espirito….” e vivia numa família que estava em crise.

Ana vivia numa família dividida, mas não se encontrava só.

Ana tinha o favor de Deus. E Deus já havia estabelecido planos gloriosos para Ana, que ela ainda desconhecia. Até mesmo o impedimento de Ana em ter filhos resultava de um plano de Deus para a vida de Ana. O verso 5 na parte final diz que “…o Senhor lhe tinha cerrado a madre”.

Quando falamos dos planos de Deus é bom lembrar das palavras de Jó no capitulo 42:2: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”.

Quando passamos por lutas e crises, ou quando perdemos pessoas ou coisas importantes para nós, desejamos encontrar explicações ou justificativas para a nossa dor. Porem, tenho aprendido que nem sempre Deus nos dará explicações quando estamos percorrendo os vales difíceis da vida humana.

Quando José foi lançado numa cova, Deus não lhe deu explicações. Quando foi vendido por seus irmãos como escravo, Deus não lhe deu explicações, quando foi preso na casa de Potifar, Deus não lhe deu explicações.

Só mais tarde é que Deus esclarece a José o motivo de tanta luta, tanto sofrimento e dificuldades. Ao se encontrar com seus irmãos José declara em Gênesis 45:5: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. No verso 8 José agora acrescenta: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” O que José estava dizendo a seus irmãos é que a traição deles, o ato de o venderem como escravo, os anos na prisão, todas as lutas e angustias, eram apenas parte do plano grandioso de Deus, para tornar mais tarde a José, um príncipe no Egito.

É aqui que desejo apresentar uma revelação importante sobre Ana:

Creio que o tempo em que Ana enfrentou humilhações, experimentou lutas interiores e derramou lágrimas aconteceram porque Deus tinha um plano maior para Ana: Deus a estava preparando para experimentar um grandioso milagre e assumir uma importante responsabilidade. O milagre é que Deus iria dar um filho a Ana e sua responsabilidade era consagra-lo e educa-lo para ser o mais importante profeta de Israel.

As lutas de Ana foram grandes, mas as vitórias que Deus lhe concedeu foram maiores.

Uma das grandes verdades que podemos observar na vida de Ana, é que as crises a tornaram numa mulher mais próxima de Deus.

Ao ir anualmente ao templo em Jerusalém, Ana buscava intensamente a presença do Senhor. No verso 15 ela estava no templo e diz ao sacerdote Eli: “….tenho derramado a minha alma perante o Senhor…”.

Ana nos ensina algo precioso aqui. As orações mais intensas, são aquelas que nascem do choro, da dor, e da crise humana.

A oração de Ana nasceu da sua tristeza e do seu sofrimento. Veja o que diz 1 samuel 1:10,11: “…levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente. 11 E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”.

Observe comigo algumas coisas acerca desta oração de Ana.
Primeiro. Ela foi gerada com choro e lágrimas que foram derramadas por causa de seu imenso desejo de ter um filho. Segundo. Em sua oração Ana se apresenta como serva, em submissão e obediência a Deus. Terceiro. Sua oração inclui sacrifício, pois fez um voto de devolver o filho ao Senhor para ser um nazireu, e assim servir a Deus por toda a vida.

A fé e a devoção de Ana foram intensos naquele momento, e não ficaram sem a resposta de Deus. Deus lhe deu um filho. E Samuel se tornou mais tarde um filho ilustre. Tornou-se um grande profeta que trouxe muita honra e prazer ao coração de sua mãe.

Conclusão

Deus é fiel, pois não deixa um justo que ora sem resposta. Como filhos de Deus muitas vezes enfrentamos caminhos espinhosos, mas não somos destruídos.

Assim como Deus permitiu que Ana experimentasse um grande milagre em sua vida, ele também pode fazer o mesmo por cada um de nós. Eu e você, também podemos experimentar o agir milagroso de Deus.

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